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Misericórdia! - 2 Samuel 11.6-13

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"Então, enviou Davi mensageiros a Joabe, dizendo: Manda-me Urias, o heteu. Joabe enviou Urias a Davi. Vindo, pois, Urias a Davi, perguntou este como passava Joabe, como se achava o povo e como ia a guerra. Depois, disse Davi a Urias: Desce a tua casa e lava os pés. Saindo Urias da casa real, logo se lhe seguiu um presente do rei. Porém, Urias se deitou à porta da casa real, com todos os servos do seu senhor, e não desceu a sua casa. Então, disse Davi a Urias: Não vens tu de uma jornada? Por que não desceste a tua casa? Respondeu Urias a Davi: A arca, Israel e Judá ficam em tendas; Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao ar livre; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber e para me deitar com minha mulher? Tão certo como tu vives e como vive a tua alma, não farei tal coisa. Então, disse Davi a Urias: Demora-te aqui ainda hoje, e amanhã te despedirei. Urias, pois ficou em Jerusalém aquele dia e o seguinte. Davi o convidou, e comeu e bebeu diante dele, e o embebedou; à tarde, saiu Urias a deitar-se na sua cama, com os servos de seu senhor; porém não desceu a sua cama." (2 Samuel 11.6-13)
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Introdução: Muitos conhecem a história do adultério entre Davi e Bate-Seba, mulher que era casada com um dos soldados do exército de Israel chamado Urias. Para aqueles que não entendem muito bem a história nós começamos o capítulo 11 do segundo livro do profeta Samuel sendo informados que aquele tempo era um tempo de guerra, e no tempo de guerra os reis saiam à guerra com os seus exércitos. Sabemos de Davi que este era um guerreiro nato, e durante muito tempo ele foi o comandante do exército de Israel enquanto a nação estava ainda sob o reinado de Saul. Mas naquele momento Davi não foi ao campo de batalha, ficou em seu palácio em Jerusalém, e pulando um pouco os detalhes e pormenores do adultério cometido por ele, o que sabemos é que este adultério teve como consequência uma gravidez de Bate-Seba. As guerras não são eventos breves, muitas se arrastam por anos, ou até mesmo décadas. Urias já estava fora de casa há algum tempo, tempo o suficiente para que todos soubessem que o filho não poderia ser dele, algo que deixaria Davi em uma situação constrangedora, pois o seu adultério que era mantido em segredo, seria exposto diante da nação, e lhe renderia consequências públicas de seu ato. Então para encobrir seu pecado, e a gravidez de Bate-Seba, Davi elaborou um plano, que consistia em trazer Urias do campo de batalha com as desculpas de que queria notícias da guerra. Então, faria Urias ir para sua casa, se deitar com sua mulher, e então todos iriam imaginar que a criança no ventre de Bate-Seba seria dele. E é exatamente neste encontro entre Davi e Urias que nós paramos. Nesta história, observamos que Davi não teve misericórdia de Urias. E embora essa seja uma passagem bíblica conhecida por causa do pecado de Davi, pouco de nota na atitude de Urias seu exemplo de homem misericordioso. E me atrevo a dizer, parafraseando o relato do autor do livro de Hebreus a respeito de Abel, que Urias mesmo depois de morto, ainda fala, e eis aí o legado de Urias, que ainda hoje nos ensina sobre misericórdia.
Mas antes de falarmos sobre misericórdia, se faz necessário entendermos o que é misericórdia. A palavra misericórdia vem do latim, e deriva de duas outras palavras: Miserere ou Miseratio (sentir compaixão); e Cor ou Cordis (coração), que seria como "ter compaixão do coração", ou seja, nada mais é do que um sentimento de compaixão despertado pela desgraça ou pela miséria alheia. A Pequena Enciclopédia Bíblica, de Orland Spencer Boyer, define assim o termo: "Sentimento doloroso causado pela miséria de outrem". Ou seja, é a capacidade de sentir a dor do outro, de se colocar em seu lugar. Esse sentimento tem o poder de produzir em nós o desejo de fazer alguma coisa que possa amenizar o sofrimento do próximo, ou pelo menos demonstrar para ele que você é solidário no seu sofrimento. E é exatamente essa imagem de misericórdia que vemos retratada na atitude de Urias. E a partir do momento em que tomamos conhecimento do que é misericórdia, talvez possamos começar a nos lançar na busca pela compreensão da misericórdia demonstrada por Deus para com a humanidade. Urias é apenas um dos muitos exemplos de misericórdia que a bíblia nos traz, mas para compreender toda a extensão da misericórdia, se faz necessário olhar primeiro para o exemplo maior de misericórdia, a misericórdia de Deus.

1 - A misericórdia de Deus

Aprendemos ao estudar a palavra de Deus, e nas classes de estudo bíblico, que um dos atributos morais, ou comunicáveis, de Deus, é a misericórdia. Deus é misericordioso, grande em misericórdia como declara a sua palavra: "Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade" (Sl 86.15, ARA). Mas de quem o Senhor tem misericórdia? Quem é o alvo de sua compaixão? O homem! E ao declarar o homem, me refiro a toda a humanidade, e sim, me refiro a mim e a você, a jovens, crianças, adultos, anciãos, mulheres, a todos sem exceção. Mas depois de compreendermos o que significa misericórdia, que é se compadecer da miséria do outro, e tomarmos conhecimento que Deus tem misericórdia de nós, isso pode fazer surgir a seguinte pergunta: Nós somos miseráveis? E qual é a nossa miséria? Entendendo que miséria é a falta daquilo que se necessita, ou seja, é um estado de penúria, de aflição, somos completamente miseráveis, pois somos carentes de Deus, e de tudo aquilo que Ele nos proporciona. Mas nem sempre foi assim, o motivo da miséria do homem tem nome, e se chama PECADO! Em Romanos 3.23 o apóstolo Paulo expõe essa realidade: "pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (ARA).
Nós frequentemente somos levados a menosprezar os efeitos do que chamamos de queda do homem, ou pecado original, que foi o pecado de Adão. Pois pensamos que se seguirmos a risca um conjunto de padrões morais, ou regras, onde não se deseja o mal de ninguém, não se faz nada que seja considerado errado, e ajudamos a todos quanto podemos ajudar, que isso possa nos garantir o favor de Deus. Não! Pelo contrário, isso demonstra a nossa ignorância quanto a nosso estado já pecador. Esse inclusive era o erro principal cometido pelo grupo religioso judeu chamado de fariseus, motivo pelo qual Jesus certa ocasião os chamou de sepulcros caiados (cf. Mt 23.27). Não foi apenas Adão que caiu diante do pecado, e nem mesmo apenas os homens, mas toda a criação foi afetada por ele, por esse motivo todo o mundo sofre por causa do pecado, para onde se olha se vê as consequências da natureza pecaminosa instalada no mundo por causa da queda do homem, como disse Paulo: "Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação" (Rm 5.18, ARA). Por isso vivemos em um mundo caído: "Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno" (1 Jo 5.19, ARA); e "...No mundo, passais por aflições..." (Jo 16.33b, ARA). Até mesmo o próprio relacionamento do homem com a criação foi abalado pelo pecado: "Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Viste que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás." (Gn 3.14-19, ARA). Então podemos ver claramente que o pecado de Adão não afetou a ele somente, mas a todos nós, e recaiu sobre nós também as suas consequências, dentre as quais, a ausência do relacionamento com o Criador, por isso ao ser confrontado com a visão de Deus: "Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!" (Is 6.5, ARA). Ou seja, como disse anteriormente, somos seres caídos, vivendo em um mundo caído, rodeado pelo pecado à nossa volta, e também dentro de nós.
Eis a nossa miséria, a nossa falta de Deus. Eis aí o motivo da misericórdia de Deus por nós, pois Ele percebeu nossa completa incapacidade de tomar a iniciativa da reconciliação com Ele, e também para pedir o perdão pelos nossos pecados de uma maneira que satisfaça a sua lei. Deus não ficou no "discurso", Ele agiu, e sua resposta de misericórdia ao mundo, foi se fazer carne e habitar entre nós, foi sentir na pele as nossas necessidades, dores, aflições, e o preço de nossos pecados. Ele se colocou em nosso lugar, Jesus Cristo, é a MISERICÓRDIA de Deus sobre nós. Devemos ser gratos a misericórdia de Deus sobre nós, pois elas são as causas de não sermos consumidos pela santa ira de Deus em resposta ao pecado que há em nós, mas suas misericórdias se renovam a cada manhã e não tem fim, pois duram para sempre. (cf. Lm 3.22)
Nós somos alvos da misericórdia de Deus, mas Deus nos concedeu também a capacidade de sermos misericordiosos, e Ele quer que o sejamos. 

2 - A misericórdia entre nós

A misericórdia é um dos atributos divinos que Deus compartilha com os homens. Ou seja, Ele nos dotou com a capacidade de amar o próximo e de sentir em nós um pouco da dor do outro. Esse sentimento pode receber outros nomes, como: compaixão, empatia, e etc. E esse sentimento gera, ou pelo menos deveria gerar, em nós, o desejo de fazer algo pelo próximo. E para que a misericórdia seja verdadeira, o desejo que nos toma, que nos invade, deve ser transformado em ações. Foi o que fez Urias ao dormir ao relento, junto aos portões do palácio de Davi, recusando-se a ir para sua casa. No verso 11, do segundo livro do profeta Samuel, capítulo 11, Urias declara ao Rei o porquê não queria ir para sua casa, desfrutar de sua comodidade e da companhia de sua mulher: MISERICÓRDIA! Misericórdia para com o Senhor Deus, pela Arca da Aliança, a manifestação da presença do soberano do universo, que permanecia sob as tendas do tabernáculo. Isso deveria implicar em uma lição direta para Davi, que era rei apenas sobre Israel, e dormia em seus palácios. Misericórdia também, para com os seus companheiros de guerra, pois ele esteve acompanhando de perto o sacrifício de tais homens, que deixavam suas casas, a companhia de suas mulheres, para dormir ao relento e darem suas vidas para a proteção de seu povo, seu rei, e sua terra. E eis exatamente aí uma enorme diferença de atitude entre a misericórdia de Urias e o pecado de Davi, pois enquanto seus soldados não tinham um teto sobre as suas cabeças, Davi estava em seus aposentos reais, e Urias ensina ao rei o que é se compadecer do próximo. Mas o exemplo mais gritante dessa disparidade entre os dois, se dá ao perceber que Urias se recusa a estar com sua mulher, algo que lhe é de direito, por amor e misericórdia de seus companheiros de batalha, suas esposas e famílias, pois o mesmo não se considerava digno de se dar a esse "luxo"; e enquanto isso, nós vemos a Davi, que não apenas já possuia várias mulheres, entre esposas e concubinas, a sua disposição, mas foi se deitar exatamente com a esposa de um de seus soldados. Misericórdia!
Eis o quão perigoso o pecado pode ser, transformando um homem, seus pensamentos, desejos e atitudes. O quão vil Davi se tornou, o quão baixo chegou, eis aí o rei e adorador Davi, adulterando com a esposa de seu súdito, e maquinando contra ele. O rei Davi já estava completamente dominado pelo pecado, suas atitudes de adultério são apenas a execução do que já existia em seu coração, e é exatamente assim que o pecado começa: "Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte." (Tg 1.13-15, ARA). Esse mesmo preceito, a respeito do pecado se inicia bem antes de sua manifestação externa, que são as atitudes consumadas, são ensinados por Jesus Cristo no famoso Sermão do Monte (cf. Mt 5). Naquele momento o rei Davi estava como Caim, antes de tirar a vida de seu irmão Abel, quando o Senhor lhe alertou do que acontecia em seu coração: "...Se todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo." (Gn 4.7b, ARA). Mas não quero me deter olhando para o pecado de Davi, mas para o exemplo de Urias.
Jesus no sermão do monte declarou: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia." (Mt 5.7, ARA), e é da vontade de Deus que, nós, o seu povo, sua igreja, tenhamos misericórdia de nosso próximo: "Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai." (Lc 6.36, ARA). E é este princípio que está embutido no resumo que Jesus faz da Lei em Mateus 22.39, ao dizer: "...Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (ARA). E ainda no livro de Mateus, Jesus reforça a necessidade de manifestarmos misericórdia, pois esta é uma das características do salvo, ele é misericordioso. Portanto Jesus declara: "Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estive nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? e Quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mt 25.34-40, ARA). E aqui está um bom aspecto para se identificar um cristão verdadeiro, pois sua vida é marcada pelo seu espírito misericordioso.
Agora é preciso fazer um alerta à igreja. Muitos imaginam que exercer misericórdia é apenas se mobilizar para satisfazer as necessidade humanas, quanto a fome, vestimenta, saúde e outras tantas que acompanham o escopo de obras sociais da igreja. Mas há um ponto que por muitas vezes nos passa despercebido, e é a gritante necessidade que o homem tem de Deus, sua miséria espiritual. Eis aí um dos maiores pecados que muitos de nós temos cometido como igreja, a omissão: "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando." (Tg 4.17, ARA). A igreja recebeu a misericórdia de Deus sobre ela, fomos feitos possuidores do antídoto para esse veneno chamado pecado, e enquanto o estado deplorável, escabroso, mórbido, de sofrimento das almas agonizantes nas mãos do diabo não nos causarem dor, vergonha, tristeza, compaixão e misericórdia, não somos dignos de sermos chamados igreja. Enquanto o mal cheiro do pecado não nos causar nojo, do próprio pecado, de nosso estado miserável, e do pecado que nos rodeia, não estaremos dispostos a apresentar, ou mesmo reconhecer, a Cristo e seu sangue purificador. Enquanto a dor do próximo não for a nossa também, não haverá misericórdia para nós. Matar a fome dando-lhe comida é importante, e absolutamente necessário, mas deixá-lo ir embora de estômago cheio e miserável espiritualmente é covardia, uma atitude de hipocrisia. Jesus retrata na famosa parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10.25-37), a hipocrisia do sacerdote e do levita, os religiosos da história contada, mas que ignoram o estado deplorável do caído, passando de largo. O samaritano, resolveu ajudar, sem esperar nada em troca, simplesmente pelo prazer de ver o outro bem, de sentir a dor do outro. Mas atar-lhe as feridas do corpo e deixar sua alma ir para o inferno é condenável, por isso a aplicação de tal parábola é muito mais profunda do que simplesmente tratar as feridas do corpo. Somos atalaias, como declarou o profeta Ezequiel (cf. Ez 33), e é nossa responsabilidade alertar ao pecador sobre sua miséria, sobre sua necessidade de receber a misericórdia de Deus (Jesus Cristo) sobre sua vida, pois esta é a sua ÚNICA saída para sua miséria, e consequentemente, sua saída para a condenação espiritual. Então sejamos misericordiosos, e cumpramos a palavra que diz: "Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram." (Rm 12.15, ARA).

Conclusão: Jesus em duas ocasiões desafia os judeus a entenderem o que de fato significa: "Misericórdia quero e não sacrifícios" (cf. Mt 9.13, 12.7). Estas palavras de Jesus são uma referência direta ao profeta Oséias (Os. 6.6). E o profeta não deixa dúvida alguma sobre o que ele está falando. Oséias se refere a conversões, ou seja, arrependimentos falsos, súplicas e clamores hipócritas, que não passavam de pura encenação para satisfazer nossa própria justiça. E isso é representado pelas figuras dos sacrifícios e holocaustos, que se tratavam de um ritual cerimonial religioso estabelecido na época de Moisés. Mas como todos os demais aspectos cerimoniais da Lei, não tinham um fim em si mesmo, mas eram representações de Cristo e sua obra redentora na cruz, o sacrifício perfeito. Como os sacrifícios e holocaustos eram representações de cerimoniais públicos, eles representavam a real intenção do coração dos hipócritas, serem reconhecidos pelos homens e não por Deus. Jesus esclarece isso na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14). Portanto, embora eles fossem rigorosos em todos os aspectos referentes aos mínimos detalhes da letra da Lei, seus corações, mentes e línguas ainda destilavam pecado. 
A misericórdia a que o texto se refere, é sentir aquilo que entristece ao Senhor, e colocar nosso coração para buscar sentir o que há em nós que desagrada a Deus, ou seja, é como olhar para um espelho e ver refletido nele a real imagem de nosso estado miserável, e sermos confrontados com o pecado que há em nós, e sentirmos quão grande é a tristeza do Deus santo por nós pecadores. É o que o próprio Davi expressou no Salmo 51, onde ele derrama todo o seu ser na presença de Deus suplicando-lhe o perdão exatamente pelo pecado cometido contra Deus, e contra Urias. E enquanto não confrontarmos nossos pecados, não haverá arrependimento em nós, e enquanto não manifestarmos misericórdia pelo estado pecador de nosso próximo, o caráter de Cristo não está em nós, e não haverá misericórdia para nós. Se você quer saber o que é o inferno, é a total ausência da misericórdia de Deus sobre nós, e o despejar do cálice puro, sem mistura, de sua santa IRA (cf. Ap 14). Que Deus tenha misericórdia de nós, e que nós sejamos misericordiosos!

Pr. Julio Cezar da S. Cindra

Meu lar, um altar! - Deuteronômio 6.4-9

 

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"Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas." (Deuteronômio 6.4-9)
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O mês de Maio é celebrado como o mês da família, uma época em que as igrejas preparam suas programações voltadas especialmente para a família.
A família está em foco, e também está no foco de Satanás. A cada dia que passa vemos estratégias de Satanás, para acabar com a família, se multiplicar. E também vemos o apelo desesperado do mundo, gritando socorro, por suas famílias.
Seja você crente ou não, uma certeza eu tenho, você se preocupa com sua família. Essa é uma preocupação que aflige a todo ser humano. Até o mais cruel e sanguinário bandido almeja um futuro melhor para sua família. Mas os dias tem sido maus, terríveis, e as famílias cristãs, lares cristãos, que outrora foram o exemplo de sucesso familiar em meio ao caos, hoje é só mais uma nesse caos. O que aconteceu? Ou melhor, o que está acontecendo? Vamos buscar por respostas na Palavra daquele que criou a família.

1 - Eu, um sacerdote! (v. 6): Em primeiro lugar, não dá para querer a cura da família sem primeiro buscar a solução para o nosso coração. Você faz parte da sua casa, da sua família, e a primeira pessoa da sua família que precisa do agir de Deus, é você mesmo(a). Deus quer alcançar a sua família, é desejo d'Ele alcançar a sua família, e Ele deseja entrar em sua família, entrando primeiro em seu coração, em sua vida.
A preocupação que possuímos com nossa família nos leva a querer o melhor para ela, e quando procuramos a solução no mundo e não encontramos é que nos lembramos de Deus. Então, ao percebermos que Deus tem respostas concretas para nossa família, decidimos que nossa família precisa de Deus. E então é comum as pessoas tomarem algumas atitudes, como por exemplo:
  • Levar os familiares na igreja;
  • Levar a igreja aos familiares;
  • Ir à igreja pedir pela família.
Estas posições são tomadas de pronto, pois preocupamo-nos com nossa família, então, pedimos orações por ela na igreja; pedimos aos irmãos e ao pastor para falarem com eles; os levamos aos cultos para ouvirem da boca de outros aquilo que deveriam ouvir da nossa. Tomar essas posições não é errado, pelo contrário, é certo. Mas, tomá-las sem primeiro um compromisso pessoal com Deus, não resolve. Antes, se você busca por sua família, mas se desvia da verdade em sua vida, se prepare para encarar essa realidade: "você se torna a desgraça da sua casa!"
A pergunta que precisa ser respondida então, é: E agora? O que fazer? Se você quer o bem para sua família, sua vida precisa ser a porta de entrada para Cristo em sua casa. É isso o que o verso 6 vem trazer, que em primeiro lugar você precisa guardar no teu coração as palavras que foram ordenadas no verso 4 e 5. Muitos não entendem, mas no verso 4 e 5 deste capítulo de Deuteronômio está todo o resumo da Lei, ou seja, a expressão máxima da profissão de fé do judeu. Este texto ficou conhecido pela expressão usada por Moisés para chamar a atenção do povo para esta responsabilidade, quando declara: "Ouça Israel" (do hebraico SHEMÁ ISRAEL).
O Shemá, era um resumo dos 10 mandamentos para o judeu. Sendo uma expressão da Antiga Aliança, alguns cristãos podem pensar que não se aplica mais, quando muito pelo contrário, Jesus reafirma sua importância e ainda lhe acrescenta outras duas observações em um diálogo com um escriba registrado em Marcos 12.28-31. Jesus reafirma a importância do Shemá, tanto para o judeu, quanto para aqueles que recebem a Nova Aliança, os cristãos, em suma, a igreja. E as observações feitas por Cristo são: quando ele acrescenta à forma de amar a Deus, o entendimento; e ainda quando afirma que o segundo mandamento, semelhante ao primeiro, é, o amor ao próximo como a si mesmo.
O que Jesus faz ao resumir os 10 mandamentos em 2, é nada mais do que pegar as duas tábuas da Lei, onde cada uma contém 5 mandamentos, e mostrar aos homens que cada uma das duas tábuas, ou seja, cada grupo de 5 mandamentos compreendem responsabilidades lançadas sobre o homem, onde o primeiro grupo de 5 mandamentos são responsabilidades do homem para com Deus, e o segundo, do homem para com o seu próximo. Simples assim! Ou seja, Jesus está bradando de novo, dessa vez: Shemá Igreja!
Mas voltando a questão de sermos a porta de entrada de Cristo em nossa casa, o texto de Apocalipse 3.20 retrata bem a realidade de Cristo entrar em nossa vida e fazer morada em nós, e, através de nós, entrar em nossa casa. Mesma realidade expressa por Paulo, quando declara ao carcereiro em Atos 16.31, que "crê no Senhor Jesus, e serás salvo tu e tua casa". O que ele quis dizer não é que minha fé salva automaticamente a minha família. Mas minha fé me leva a querer minha família salva, então eu levarei a ela a razão da minha fé e da minha salvação. Eu lhes apresentarei o Jesus que me salvou. É isso, simples assim! E entendendo isso, assumo minha posição como sacerdote do meu lar. 

2 - Minha casa, lugar de adoração! (v. 7): Nós falamos sobre o que busca para o outro mas não para si mesmo. Mas, agora se faz necessário chamar a atenção para o outro extremo: aquele que busca para si mesmo e não se importa com os outros. Meus amados irmãos, as igrejas estão abarrotadas de pessoas vivendo esses dois extremos. Mas esse é o mais pernicioso para todo o evangelho, este é a causa e motivo de escândalo, e este é o que mais se abate sobre as lideranças. Ou seja, a completa indiferença e abandono do altar em casa.
Aquele que busca para si mesmo e ignora o estado deplorável do seu próximo é tão hipócrita como o sacerdote e o levita da parábola do bom samaritano. Quantas vezes estamos tão confortáveis com nossa bíblia debaixo do braço, e nossa roupa bonita indo para os templos, ignorando os cacos ao nosso redor, e o pior, muitas das vezes os pisamos em vez de recolhe-los e apresentá-los ao Senhor. Estamos longe de nos parecer com o bom samaritano. E ainda mais, aquele que se compadece do estranho, mais ignora os de sua própria casa são piores do que o descrente. Essas são as palavras do apóstolo Paulo para o jovem pastor Timóteo, mas também é para toda a igreja (1 Tm 3.4-5; 5.8). Quando Paulo cita isso ele não está se referindo ao mero e simples cuidado no sentido de atenção e proteção, também, mas principalmente no que se refere a razão da sua fé, pois como bem escreveu Tiago (Tg 2.17), a fé e as obras precisam caminhar juntas, pois assim como a fé sem obras é morta, obras sem fé também é!
O texto lido (Dt 6.7) traz à tona uma responsabilidade aos pais e estendida a todos os que são conhecedores da verdade, a necessidade de uma vida diária de adoração e devoção. O lar e a vida cotidiana têm sido, por muitas vezes, ignorados como a nossa maior oportunidade de vitórias espirituais. Vamos fazer uma conta rápida, e para não ser injusto com ninguém, vou tomar a minha própria vida como exemplo. Em uma semana nós temos 168 horas. Em uma semana eu participo, geralmente, de 3 cultos no templo. E cada culto têm aproximadamente a duração de 2 horas. Então, ao longo de uma semana inteira, passo 6 horas no templo. Isso é, aproximadamente, 3% de todo o meu tempo em uma semana, ainda me restando os outros 97%, ou seja, das 168 horas da semana, passo 162 longe do templo. A pergunta que precisamos fazer a nós mesmos é: o que fazemos com o tempo que não estamos no templo? Pois na maior parte do tempo, não estamos no templo! Dentro do templo nós pulamos, cantamos, gritamos, choramos, abraçamos, sorrimos, só falamos palavras doces e agradáveis, a gente ora e lê a bíblia. E quando saímos do templo? Ainda cantamos? Ainda choramos? Ainda abraçamos? Ainda se lê a bíblia? Ainda oramos?
O que vou dizer aos pais se aplica a você que não é pai, nem mãe, mas é o único, ou a única, em sua casa que tem Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. A responsabilidade trazida à tona pelo Salmo 127.1 ("Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam") é uma concordância com Provérbios 22.6 ("Ensina a criança, no caminho em que se deve andar, e até quando envelhecer, não se desviará dele"), ou seja, a necessidade de ensinar pelo exemplo. Ensinar pelo exemplo é ir além das palavras, mas ensinar na prática de vida diária, ou então cairíamos no famoso bordão: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". O chamado aqui é para mostrar na prática como se deve fazer, é preparar a sua casa para encontrares com o seu Deus.
Cumpra o que está escrito no verso 7, transforme sua casa em um altar. Para isso é preciso resgatar a comunhão e a intimidade dentro de casa. Para os judeus o momento de comunhão sagrado dentro da família eram os momentos de refeição, onde a família se sentava e conversava enquanto comiam. Hoje cada um como em um lugar, em um horário, e não há mais diálogo, só há um silêncio, enquanto nossos olhos e ouvidos estão atentos para o que a televisão e a internet tem a dizer,. Tapamos os nossos ouvidos para o grito de socorro de nossa família. Ainda há tempo de agir, faça da sua casa um altar, um lugar onde Deus é adorado todos os dias!

3 - Eu, um sacrifício vivo! (v. 8): Há uma certa relação entre Deuteronômio 6.8 e Apocalipse 13.16. Ambos falam a respeito de coisas que estarão nas mãos e nas testas. Sendo que o texto de Deuteronômio fala de carregar nas mãos e nas testas os mandamentos de Deus, enquanto, que, Apocalipse menciona que estarão nas mãos e nas testas a marca da besta.
São marcas distintas, mas a interpretação é semelhante para as figuras usadas para simbolizar onde estas marcas estarão. De uma forma bem simples, a mão são as atitudes, enquanto que a testa, os pensamentos. Ou seja, a marca da besta em Apocalipse não é um chip, uma tatuagem ou qualquer desses boatos espalhados por aí, na verdade ela já está entre nós há muito tempo, e enquanto nos iludimos com falácias, ignoramos que a marca da besta nada mais é, do que a manifestação da vontade da besta nos pensamentos e atitudes. Essa mesma análise pode ser aplicada aos mandamentos nas mãos e na testa, ou seja, isso simboliza a vida daqueles que realizam a vontade de Deus, em suas atitudes e pensamentos. Como já mostrava o Salmo 1.2 (O que medita de dia e de noite), ou o Salmo 119.11.
Malaquias 3.18, retrata esse contraste, quando se refere a como Deus evidenciará a diferença entre os justos e os perversos no grande dia, através de suas ações, mas também através de suas sentenças.
O grande ponto deste versículo é que, o resultado de uma vida devocional, será o testemunho vivo e sacrifício vivo, que agrada a Deus (Rm 12,1). Ou seja, tudo em nós glorificará o nome do Senhor, tanto nossas ações, quanto nossos pensamentos.

4 - Meu lar, local de testemunho! (v. 9): O resultado de uma casa alicerçada, é que esta se tornará uma referência, e quando as pessoas olharem para a vida das famílias que colocarem estes princípios em práticam elas enxergarão a mão de Deus sobre aquela família. Tanto os que olharem da rua (aqueles que não possuem intimidade com vocês), quanto os que olharem de dentro (os que convivem com vocês). Essa é a representação do ato de escrever na porta e no umbral, é como se dissessem: "olhem para minha casa e lembrem-se de Deus e dos seus mandamentos". Como sugestão, trago um acréscimo ao ponto 2, é preciso resgatar aquilo que chamávamos de culto doméstico.

Conclusão:

Estas palavras muito me ensinaram, mas como Jesus disse ao encerrar o sermão da montanha, não adianta ouvir e não colocar em prática. Jesus usou a ilustração do homem construindo uma casa: o que ouviu e não praticou, construiu sobre a areia, e a sua casa ruiu; mas, o que ouviu e praticou, construiu sobre a rocha, e a sua casa se tornou inabalável.
A questão é que a solução para sua família está posta diante de você através da palavra de Deus. É como o doente que procura o médico e este lhe fornece o remédio para curá-lo, mas o doente leva o remédio para casa, mas não o toma. Ele continuará doente. Então cabe a você decidir por isso em prática em seu lar, ou não. Mas fico com Josué, e faço minhas as suas palavras, "porém eu e minha casa, serviremos ao Senhor!" (Josué 24.15).

Pr. Julio Cezar da S. Cindra

Livres da lepra espiritual! - 1 Coríntios 5

 

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"Agora estão dizendo que há entre vocês uma imoralidade sexual tão grande, que nem mesmo os pagãos seriam capazes de praticar. Fiquei sabendo que certo homem está tendo relações com a própria madrasta! Como é que vocês podem estar tão orgulhosos? Pelo contrário, vocês deviam ficar muito tristes e expulsar do meio de vocês quem está fazendo uma coisa dessas. Quanto a mim, ainda que não esteja presente aí pessoalmente, estou com vocês em espírito. E, agindo como se eu estivesse aí, já julguei, pela autoridade do nosso Senhor Jesus, o homem que está fazendo essa coisa horrível. Quando vocês se reunirem, estarei com vocês em espírito. Então, pelo poder do nosso Senhor Jesus, que estará presente conosco, entreguem esse homem a Satanás, para que o seu corpo seja destruído, mas o seu espírito seja salvo no Dia do Senhor. Não está certo que vocês estejam orgulhosos! Vocês conhecem aquele ditado: 'Um pouco de fermento fermenta toda a massa.' Joguem fora o velho fermento do pecado para ficarem completamente puros. Aí vocês serão como massa nova e sem fermento, como vocês, de fato, já são. Porque a nossa Festa da Páscoa está pronta, agora que Cristo, o nosso Cordeiro da Páscoa, já foi oferecido em sacrifício. Então vamos comemorar a nossa Páscoa, não com o pão que leva fermento, o fermento velho do pecado e da imoralidade, mas com o pão sem fermento, o pão da pureza e da verdade. Na outra carta que escrevi a vocês, eu recomendei que vocês não tivessem nada a ver com gente imoral. Eu não quis dizer que neste mundo vocês devem ficar separados dos pagãos que são imorais, avarentos, ladrões ou que adoram ídolos. Pois, para evitar essas pessoas, vocês teriam de sair deste mundo. O que eu digo é que vocês não devem ter nada a ver com ninguém que se diz irmão na fé, mas é imoral, ou avarento, ou adora a ídolos, ou é bêbado, ou difamador, ou ladrão. Com gente assim vocês não devem nem comer uma refeição. Afinal de contas eu não tenho o direito de julgar os que não são cristãos. Deus os julgará. Mas será que vocês não devem julgar os seus irmãos na fé? Como dizem as Escrituras Sagradas: 'Expulsem do meio de vocês esse homem imoral.'" (1Coríntios 5)
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Esses dias estava lendo um estudo bíblico do Pr. David Merkh sobre o texto que nós lemos. Eu sei que a figura que salta aos nossos olhos é a do fermento, mas o pastor chamou a atenção para algo que ele deu o nome de "lepra espiritual". E é interessante observar isso, pois a figura da lepra é mencionada constantemente na bíblia, e na grande maioria das vezes está relacionada ao pecado. E é exatamente sobre essa comparação que vamos meditar neste momento, assim como Jesus se utilizava de circunstâncias físicas para explicar as espirituais, vamos nós, também, olhar para o pecado, a "lepra espiritual".

1- O que é a lepra? A palavra lepra (do hebraico TSARA'ATH) é mencionada constantemente na bíblia, sempre para designar doenças que atingiam a pele. Mas nunca se referia a um tipo específico de doença, mas sim a vários tipos de doenças assim. Embora, sempre traziam consigo uma conotação negativa no aspecto social, pois o leproso era afastado do convívio em sociedade. Hoje com o avançar da ciência já é possível diagnosticar precisamente o tipo de enfermidade na pele, e o nome genérico, lepra, foi abandonado. O tipo mais comum destas doenças ganhou o nome de Hanseníase, ela e as demais são provocadas pelo bacilo de Hansen (uma espécie de bactéria), infecciosa e que causa danos severos a nervos e a pele. Mas o que esse tipo de enfermidade tem a ver com o pecado? Muita coisa. Vejamos alguns pontos:

1.1 - Oculta: A lepra pode permanecer anos (de 2 a 7) escondida no organismo de uma pessoa até se manifestar, ou seja, até aparecer os primeiros sintomas. O pecado é assim também, se esconde no coração e na mente, e pode permanecer anos escondido em nós até demonstrar seus sintomas (ver Gálatas 5). Por isso a necessidade de vigilância. Tiago já havia escrito isso em sua epístola, ao dizer que "... havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago 1.15). Ou seja, o pecado, da sua concepção até a consumação (nascimento) leva tempo se desenvolvendo dentro de nosso ser, sendo lentamente alimentado pelos nossos desejos carnais, assim como a criança no ventre é alimentada pelo cordão umbilical. Jesus já havia nos alertado sobre isso no seu sermão conhecido como o sermão do monte, ao dizer que "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno." (Mateus 5.17-30). Jesus mais uma vez se utiliza de hipérbole (exagero) para ilustrar a questão do pecado, Ele não quis dizer literalmente que devemos sair por aí arrancando nossos olhos, mas que o que deixamos entrar por eles alimenta o pecado que deve ser arrancado, ou seja, você deve parar de deixar entrar pelos seus olhos isso que tem nutrido seus desejos carnais. Se o pecado não for alimentado ele morre de fome e é abortado antes de nascer (ser consumado). 

1.2 - Contagiosa: A lepra é uma doença contagiosa, ou seja, pode ser transmitida de um para o outro pela proximidade, contato, utensílios compartilhados e pela convivência. Assim a recomendação bíblica era o isolamento e afastamento do meio do arraial (Levítico 13.46). O Salmo 1, transmite um conselho aos que querem ser felizes, se afastar do caminho dos pecadores, dos conselhos dos ímpios, e da roda dos escarnecedores. Obviamente alguém pode pensar que de fato devemos nos afastar completamente do mundo, mas ao olhar atentamente o restante de 1 Coríntios 5, Paulo deixa claro, que os pecadores que precisam ser evitados não são os de fora, mas aqueles que se dizem "irmãos na fé" e cometem pecados tais. Estes são o fermento que leveda toda a massa, estes são os leprosos contagiosos. O fato desta doença ser contagiosa era o motivo pelo qual os leprosos eram afastados de suas casas e levados para um local isolado. Na época a lepra era tida como uma doença incurável, mas hoje já existem tratamentos capazes de curá-la. Assim os pecadores que se dizem "irmãos" é que precisam de tratamento especializado, mas o remédio é o mesmo para todos os pecadores, um bom mergulho (batismo) no sangue de Jesus. É isso o que representa a história de Naamã. O "batismo" de Naamã no rio Jordão é o que em Teologia chamamos de tipo. [Diferente de símbolo ou alegoria, o tipo é uma representação e uma referência histórica concreta. De acordo com a exegese cristã, a tipologia bíblica trata dos paralelos entre figuras ou fatos históricos (em geral do Antigo Testamento) concernentes ao plano de SALVAÇÃO e seu cumprimento posterior. Não raro, os fatos e as figuras do Novo Testamento são interpretados tipologicamente de acordo com um padrão do Antigo Testamento (Por exemplo, criação e nova criação, Adão e Cristo, o êxodo e os conceitos de salvação do Novo Testamento)]. [1] Assim o batismo [que significa tanto imergir, quanto derramar, daí vem as divergências sobre se o batismo deve ser por imersão (mergulhar totalmente o corpo), por aspersão (borrifar água sobre a pessoa) ou por efusão (derramar água somente sobre a cabeça)] de Naamã tem uma representação do que acontece no batismo com sangue. A forma como se deu, ele mergulhou sete vezes, indica aqui um padrão mais elevado para o batismo, mais do que molhar uma parte apenas do corpo, ou apenas borrifar água sobre si, mas deixar seu corpo totalmente envolto pelas águas, isso é uma tipologia imediata de como o sangue de Cristo age na vida do crente, somos mergulhados neste sangue (espiritualmente falando), completamente envoltos nele. O número de vezes que Naamã mergulha também é uma representação a isso. Naamã mergulhou 7 vezes. [O número 7 tem uma representação especial na bíblia, como um símbolo de coisas perfeitas, assim como o sétimo dia da criação, o dia da perfeição dela; a aliança perpétua feita com Noé simbolizada através de um arco no céu contendo 7 cores; a quantidade de vezes que se deve perdoar 70x7 (entenda-se isso não como uma conta, em que se deve perdoar apenas 499 vezes, mas sim como uma hipérbole, um exagero, pois se 7 já é perfeito, 70x7 é sublime, ou seja um perdão real, sincero e verdadeiro)] assim os 7 mergulhos de Naamã simbolizavam a perfeição daquele ato praticado por ele, provocando assim a cura de sua lepra, mas para o crente ser limpo dos seus pecados um único mergulho no sangue de Jesus é suficiente.

1.3 - Indolor: A pior semelhança é essa. A lepra ataca os nervos fazendo com que a pessoa perca progressivamente a sensibilidade à temperatura, ao toque, e até à dor. O pecado também, se não for tratado, te deixa completamente insensível a voz, a presença, e ao temor a Deus. São pessoas que praticamente não tem consciência e discernimento espiritual, estão mortas espiritualmente, assim como a pessoa descrita por Paulo, que continuava na prática do seu pecado, sem arrependimento, sem mudança, sem temor a Deus. Crente leproso é fácil de ser diagnosticado neste ponto, pois o crente que não chora pelo pecado, que não sente dor ao pecar, é porque está completamente insensível por causa do pecado. "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados" (Mateus 5.4), disse Jesus. Mas esses felizes por que choram não é tão simples quanto parece. Temos, muitas das vezes, a impressão que este texto é muito simples, e todos os que choram, seja pelo motivo que for, serão consolados. Assim chore a vontade, você será consolado. Será? Não é bem assim, Cristo não está falando que consolará quem chorar pelo fim da novela, ou pelo fim de um namoro, mas é só olhar o contexto que você vai entender. Jesus está sentado anunciando uma mensagem a um povo que é feliz por fazer a vontade de Deus, e esses são os felizes porque choram, os que choram de dor ao pecar contra Deus, os que choram pelas almas perdidas, esses serão consolados pelo Consolador (Espírito Santo). Foi esse o choro de Davi no Salmo 51: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares." (Salmos 51.1-4). Foi esse o choro do filho pródigo ao voltar pra casa de seu pai: "E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho." (Lucas 19.41-44). O crente que está livre da lepra espiritual, ele pode até pecar, mas ele abomina o pecado, ele chora, ele sente dor, ele se sente indigno, ele implora por perdão e se arrepende, demonstrando os frutos do seu arrependimento. Como está escrito: "Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus." (1 João 3.9); e "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." (1 João 5.18). Mas fica o alerta de Pedro: "Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo pelo pleno conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam de novo envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro. Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito, e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal". (2 Pedro 2.20-22).

Conclusão:

Se você observar atentamente os personagens bíblicos que foram acometidos por lepra (Miriã, Geazi, Uzias, etc.) e os que foram curados (Miriã, Naamã, Uzias, etc.), você perceberá que a similaridade dos sintomas da lepra e do pecado é grande. Mas como disse anteriormente a solução é uma só, o sangue de Jesus. "...mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça". (1 João 1.7-9).

Referência: [1] - Dicionário de Teologia: Edição de bolso. Editora Vida, 2007

Pr. Julio Cezar da S. Cindra

Vivendo os Sonhos de Deus - Isaías 55.8-9

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Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.
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A gente costuma fazer planos pra tudo em nossa vida. Quando criança, fazemos planos do que queremos ser quando crescer. Quando adolescentes começamos a sonhar com quem queremos ao nosso lado para passarmos a vida. Logo vamos crescendo, e com a idade vem também as responsabilidades, e logo começamos a sonhar com o emprego ideal, com o carro perfeito, a casa dos sonhos. E conforme o tempo passa, a gente começa a perceber que nem todos os sonhos que sonhamos, nem todos os caminhos que trilhamos, nós vamos conseguir transformar em realidade.
O Pr. Claudio Duarte diz que todo ser humano enfrenta três questões ao longo da vida: O que fazer da minha vida, com quem vou passar minha vida, e onde vou passar minha eternidade.
Ou seja, fazer planos é da natureza do ser humano, mas a gente aprende ao longo da vida que os planos que fazemos muitos ficam no esquecimento. São como as promessas de começar a emagrecer a partir de segunda-feira, que nunca chega. Ou como os livros e cd's que você pegou emprestado e planejou devolver no dia seguinte, mas já passou um ano. Como no inicio do ano que você fala: "esse ano eu vou estudar muito, tirar boas notas logo no inicio e relaxar no fim do ano"; mas você curte a vida no inicio do ano e passa raspando na recuperação de fim de ano. Ou quando você acorda e fala: "Hoje eu vou fazer isso, e mais aquilo, e aquilo outro"; e passa o dia inteiro e você não fez nada do que precisava fazer. Você tá esperando uma ligação, um contato para um pretendido emprego, e você espera o dia inteiro pela ligação e nada, mas basta você entrar no banheiro que o telefone toca. E agora? Perdeu o emprego. Aí você planeja: "Vou casar com aquele príncipe", ou "aquela princesa", "e seremos felizes para sempre". Passam-se 3 anos e você está procurando onde está o príncipe, a princesa, que estava do seu lado quando entraram na igreja pra dizer o sim. Ou como aquela promessa que você faz: "Domingo eu vou na igreja". Só que você não disse qual domingo, não é? E já se passaram 2 anos e esse domingo não chega. Essas coisas nós podemos deixar pra depois. Mas a salvação, não. Como a oportunidade que lhe é oferecida ao final do culto, de receber Jesus como seu Salvador, e você fala, hoje não, domingo que vêm. Mas todo domingo você fala isso, e acaba partindo sem tomar a decisão. Aí é tarde demais.
A Bíblia conta a história de um homem que decidiu viver os sonhos de Deus. Pois os nossos planos se frustram, mas os planos de Deus pra nós, são perfeitos. Esse homem era Abraão, e ele nos deixou três passos para se viver os sonhos de Deus.

1 - Obedecer ao chamado de Deus - Gênesis 12.1-4

Abraão já era um homem rico, com setenta e cinco anos de idade, poderíamos dizer que era um homem realizado. Ele tinha tudo o que poderia querer, possuía o bom e o melhor que poderia existir na época. Apenas não tinha um filho. 
Abraão viveu num lugar chamado Mesopotâmia, e ali conheceu os deuses daquela região. Nunca ninguém em sua família havia lhe ensinado sobre um só Deus, sobre um relacionamento com esse Deus para herdar o céu. Mas o próprio Deus se apresentou a ele e lhe fez uma proposta. E eu imagino Deus falando com ele, dizendo: "Abraão, você já tem 75 anos. Está feliz? Conseguiu realizar os seus sonhos? Pois lhe proponho viver os meus sonhos pra você." Foi a primeira vez que Abraão conversou com Deus, ou seja, precisava tomar uma decisão, obedecer ou não ao chamado de um Deus que ele nem sequer conhecia.
Talvez você esteja na mesma situação de Abraão, esteja sentindo que por mais que você tenha conquistado nessa terra, tenha conseguido resolver o que fazer da vida, tenha achado a pessoa com quem passar a vida, mas, ainda não resolveu onde passar a eternidade. E Deus te chama hoje, e te faz esta proposta hoje, de viver os sonhos que Ele tem pra você. E você pode dizer: "Mas eu nem conheço esse Deus." Ou então diga que conhece, mas eu te afirmo, você acha que conhece, mas no fundo é como Jó, você conhece Deus só de ouvir falar, mas não conhece de senti-lo, ou ver seu agir em sua vida (Jó 42.5)

2 - Entregar a direção da vida à Deus - Gênesis 12.1

Abraão teve um outro desafio, ele não sabia pra onde Deus iria levá-lo. Na Mesopotâmia onde ele morava, ele já conhecia todo mundo, tinha ficado rico lá, sua família era toda de lá, e agora um Deus que ele ainda não conhecia lhe convida a ir para um lugar que ele nem sabe onde é. Só restava a Abraão confiar e entregar a direção de sua vida à Deus.
Para viver os sonhos de Deus é totalmente necessário que você entregue a direção de sua vida à Deus, e lhe dê carta branca para guiar seus passos, e lhe mostrar onde você deverá andar.

3 - Não se deixe levar pelas ofertas do mundo - Gênesis 13.5-11

Abraão acabou levando consigo um sobrinho, Ló, cujo pai havia falecido, e como Abraão era o tio mais velho, acabou tomando para si o dever de cuidar do sobrinho. Mas o seu sobrinho também tinha posses, os servos de Ló estavam começando a arranjar confusão com os empregados de Abraão. Para que Abraão não se visse obrigado a ter que si indispor com seu sobrinho, ele ofereceu uma proposta à Ló. Levou ele para cima de uma montanha e lhe mostrou toda a terra e disse: "Se você for para um lado, eu vou para o outro." dando assim a oportunidade de Ló escolher para onde queria ir. Ló escolheu os lugares mais abundantes, com terras mais férteis, onde havia mais rios, Ló escolheu pelos olhos, e não pelo espírito. Abraão foi para o outro lado. Mas o lugar que Ló escolheu se chamava Sodoma, que foi destruída por Deus juntamente com a cidade chamada Gomorra.
Muitas vezes a gente se ilude com o mundo, e seguimos os caminhos do mundo, porque escolhemos pelos nossos olhos, e não pelo espírito. O mundo vai te oferecer sempre aquilo que parece melhor, mas exatamente aquilo que te mata. Ou seja, para se viver os sonhos de Deus, é preciso saber escolher a Deus, e não ao mundo.

Conclusão:

Quem era o pai de Abraão? Onde estão os parentes de Abraão? Apenas Abraão escolheu viver os sonhos de Deus para ele. E se Abraão tivesse escolhido ao contrário, será que a Bíblia registraria o nome dele, será que a gente iria conhecer a história dele. Deus quer te levar aonde você jamais imaginou chegar, portanto, viva os sonhos de Deus pra você!

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

Eu faço parte de uma geração inconformada com o mundo - Romanos 12.2

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  E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12.2)
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Pra inicio de conversa, precisamo saber o porquê somos inconformados com o mundo. Senão, seremos rebeldes sem causa. Porque existem pessoas que amam ser inconformadas com as coisas. São inconformadas com a cor do cabelo, com a roupa, com a matemática, com o céu, a terra, o mar, a vida. E principalmente a dos outros não é?
A palavra de Deus ensina que o mundo inteiro jaz no maligno (1 João 5.19), ou seja, está no maligno. E o sentido de inconformado não é simplesmente dizer que você está indignado, que não concorda, mas sim que você não toma a forma do mundo. Vamos falar uma verdade, o evangelho que tem sido pregado em muitas igrejas por aí é o famoso evangelho "tabajara", você vem pra Jesus e os seus problemas acabaram. Pelo amor de Deus, é muita gente... sei lá, entende? rsrsrs... Coitado desse povo quando ganharem uma Bíblia que tenha João 16.33. Mas Deus nos dá o caminho para uma vida abundante, eu não disse uma conta bancária abundante, mas sim, uma VIDA abundante. Se você alcançar a conta bancária abundante, amém, glória a Deus por isso, é fruto do seu trabalho. Mas, o caminho para aqueles que querem experimentar a BOA,  PERFEITA e AGRADÁVEL vontade de Deus, como diria o chapolim, sigam-me os bons nesta jornada que faremos pela Palavra de Deus.

1 - Inconformados com o mundo: Ouvem os conselhos certos - 1 Reis 12.1-14

O que me deixa mais zangado com esse tal de Roboão é que o camarada tinha um histórico poxa, ele tinha um legado de família, seu avô Davi o rei mais amado da história de Israel, seu pai Salomão, o rei mais poderoso da história de Israel e o homem mais inteligente que já existiu, claro com exceção de Jesus. E mesmo assim, o Roboão comete um erro terrível. Ele simplesmente deu ouvido as pessoas erradas. 
A história é simples, o povo estava cansado dos impostos que Salomão criou para construir o templo. Então chamaram um antigo líder, chamado Jeroboão, que intercedeu pelo povo diante do novo rei, já que Salomão "bateu as botas". Roboão teve até um leve momento de inteligência quando reconheceu que a questão precisava ser estudada e não podia dar uma resposta imediata ao povo sem buscar ajuda. Então ele pede 3 dias para buscar ajuda nos conselheiros de seu pai. Uma pausa, por favor raciocinem comigo, os camaradas eram conselheiros do homem mais inteligente do mundo. Eles tinham experiência e bagagem suficiente para transformar Roboão num rei, talvez, mais glorioso que seu pai. Mas, seguindo a história, ele foi se aconselhar com os conselheiros de seu pai, que falaram para ele: "Sirva ao povo hoje, e o povo te servirá amanhã". Mas o Roboão, foi dar ouvidos aos seus amigos de farra que cresceram junto com ele, nas noitadas da vida, que lhe disseram: "Desce o cajado nessa turma, não alivia não, aumenta mais ainda os impostos". Imagina a Dilma falar um troço desses, a guerra que não acontece. Dá então pra ter uma ideia do que o povo sentiu quando Roboão teve a escolha nas mãos. A quem ouvir? E ele ouviu os amigos.
Talvez você muitas vezes tem dado ouvidos as pessoas erradas. Qual a história de vida das pessoas que te aconselham, que as capacitam como conselheiras para você? Muitas vezes você esta cego sendo guiado por outra pessoa mais cega ainda. Como ouvi uma vez é a história do doente cuidando do outro doente. Você quer ser inconformado com o mundo, mas segue o conselho do mundo. 
Salmo primeiro deve ser o lema de todo o jovem cristão. Grava isso na cabeça, imprime e cola bem grandão na porta do guarda roupa, no espelho, cola na testa da namorada, que toda vez que você olhar pra ela vai se lembrar disso. Mas, não esqueça de ouvir quem te quer bem, o seu pastor, os seus pais. Talvez existam outras pessoas em quem confiar, mas principalmente estes que eu citei, são as pessoas mais gabaritadas para te aconselhar no caminho certo.

2 - Inconformados com o mundo: Andam com as pessoas certas - Jonas 1.1-10

A história do profeta Jonas traz outra verdade importante para nós. Ela começa com uma ordem de Deus pra Jonas, falando: "Jonas, levante-se, pegue sua mala que eu quero que você vá para Nínive". E o nosso amigo Jonas chegou no porto, na hora de comprar a passagem, ele deve ter visto, de um lado o guichê pra Nínive, e do outro, o pra Társis, e deve ter pensado: "Deus mandou e ir pra Nínive, é... aquela cidade terrível, cruel. Mas Társis tem praia, tem show no verão, tem meninas de biquíni, tem farol. Társis é legal." Aí eu fico imaginado Jonas naquela dúvida cruel, quando ele tem que decidir. Aí ele devia ter pensado: "Vou usar um método lógico. Meu Deus mandou eu escolher este daqui, mas como eu sou teimoso, vou escolher este daqui." 
A resposta de o porque Jonas foi pra Társis ao invés de Nínive foi a teimosia, desobediência, falta de confiança em Deus. Ele entrou no navio que ia pra Társis, acomodou no porão e dormiu, apagou no balanço do navio. A gente logo dorme no balanço do ônibus na estrada, mas balanço de mar não dá sono, dá enjoo. Mas, Jonas dormiu, e uma terrível tempestade ameaçava fazer o navio naufragar. Sobrou pra quem? Para o capitão do navio, que não sabia o que fazer. Agora veja a situação do capitão daquele navio. O navio dele ia naufragar, sabe porque? Por culpa do capitão? Não! Por causa que no navio dele havia um desobediente que estava levando ele junto pro fundo do mar. O capitão não era profeta, Deus não mandou o capitão ira pra Nínive, não foi o capitão que desobedeceu a Deus, mas ele ia morrer porque ele vendeu um ingresso pra que um desobediente entrasse no seu navio.
Quantas vezes estamos permitindo, que desobedientes, pessoas que estão fugindo de Deus, entrem em nossas vidas e nos arrastem pro fundo do poço com elas? Não é assim que nos tornamos inconformados com o mundo. Pra isso Salmo primeiro completa, bem aventurado os que NÃO SE DETÉM NO CAMINHO DOS PECADORES. 
Se tem alguém que só vive te arrastando pra longe de Deus, tá na hora de você rever que amizade é essa meu irmão. A gente sempre quer ir para os lugares legais com alguém que é nosso amigo, mas cuidado aí se teu amigo tá te convidando pra curtir com ele no inferno, eu prefiro curtir com Deus. Então dá um recado para aquele que quer te arrastar para os caminho errados: "Aí meu irmão, #Partiu_céu_falow!!!"

3 - Inconformados com o mundo: Abrem mão de tudo, menos de Deus - Daniel 1.1-4

Eu poderia ler outras passagens no livro de Daniel, pois Daniel e seus amigos: Ananias, Misael e Azarias, popularmente conhecidos pelos seus nomes caldeus, como Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, nos deixam várias lições sobre esse tópico. Temos o episódio em que eles fazem a dieta do legume, rejeitando o banquete de Nabucodonosor. Temos o episódio da fornalha, em que os amigos de Daniel rejeitam se dobrar diante de Nabucodonosor. E o episódio em que Daniel é jogado na cova dos leões por não negar a Deus. Mas o que escolhemos é o suficiente para mostrar o que esses jovens fizeram. O tal de Nabucodonosor tirou esses camaradas das suas casas, do seu país, das suas famílias, dos seus amigos, da sua cultura, talvez até das suas namoradas. E ele os escolheu a dedo. Só pegou os melhores, os mais inteligentes, os mais fortes, os mais educados. Isso nos ensina que o inimigo quer tirar de Deus aqueles que tem capacidade de serem os melhores inimigos para o próprio diabo. Mas Daniel e seus amigos perderam tudo. E estavam conformados em terem de talvez até mesmo perderem os sonhos que eles tinham, mas não perderam a Deus. E fizeram questão de não abrirem mão de Deus, pois eles sabiam que independente de onde estivessem, Deus os faria viver sonhos maiores, sonhos melhores. José foi outro desses exemplos que abrem mão de tudo, mas não abrem mão de Deus.
Você muitas vezes levanta a mão, ergue a voz, e diz, eu quero fazer a diferença, ser inconformado com o mundo. Mas ao invés de abrir mão de tudo e não abrir mão de Deus, prefere abrir mão de Deus, do que abrir mão de tudo. Quem está em primeiro lugar na sua vida?

4- Inconformados com o mundo: São a mudança que querem ver - Atos 1.8

Jesus disse em Atos 1.8 que era para os discípulos esperarem em Jerusalém, para eles ficarem lá até que o Espírito Santo viesse como prometido por Jesus. Pois eles receberiam poder através do Espírito Santo de Deus, que usaria eles para alcançar o mundo inteiro com a mensagem de transformação para os inconformados com o mundo.
Quantos já se entregaram pra Jesus e acreditam n'Ele como Senhor e Salvador de suas vidas? Pois então, você que já fez isso, meu amigo, tá na hora de sair de Jerusalém e alcançar os confins da terra. Tá na hora de sair do saleiro e ser sal no mundo lá fora. Você que já recebeu Jesus como seu salvador, recebeu também o Espírito Santo de Deus que te concede poder para ser transformado segundo a vontade de Deus, e para ser também um agente de transformação do mundo. 
Então, seja você a mudança que você quer ver, pois o que adianta a pessoa querer um mundo mais feliz, mas ela mesma não sabe dar um sorriso, ou vive resmungando. Abra o sorriso aí, comece você a espalhar a felicidade, comece você a espalhar o amor, o perdão, a paz. Seja você a mudança que tanto quer ver neste mundo.

Conclusão:

Se vocês seguirem estes passos, estarão sendo verdadeiramente uma geração inconformada com o mundo. Estarão, então, prontos prontos para viver a BOA, PERFEITA e AGRADÁVEL vontade de Deus em suas vidas.  E serão muito mais do que simplesmente portadores de bençãos, mas, serão a própria benção de Deus. Deus não quer apenas te dar uma benção, mas sim, fazer de você uma benção, assim como ele fez com Abraão (Gênesis 12.2). Essa é a verdadeira vida abundante. Quantos fazem parte da geração que vai mudar o mundo, pois estão inconformados com o mundo. Então nunca mais seremos os mesmos. Se você faz parte, então declare: "Eu faço parte de uma geração inconformada com o mundo!"

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

O que é ser cristão? - Lucas 9.23; 14.27

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     E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lucas 9.23)
    E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. (Lucas 14.27)
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Eu poderia começar esta mensagem, respondendo diretamente a pergunta, dizendo que esta palavra, cristão, aparece pela primeira vez na Bíblia em Atos 11.26, e significa literalmente pequenos cristos, mas, poderia também significar imitadores de Cristo, assim como o Apóstolo Paulo se define lá em 1 Coríntios 11.1. Essa palavra surgiu, como o texto de Atos 11.26 nos conta, na cidade de Antioquia, e foi criado para identificarem aqueles que seguiam e pregavam os ensinamentos de Jesus, ou seja, os seus discípulos.
Na história houve épocas em que ser identificado como um cristão era muito perigoso, onde se colocava a própria vida em risco, e até hoje ainda existem países como a China onde a pregação e o testemunho do evangelho de Cristo não são bem vindos.
O país em que vivemos, comparado à China e muitos outros, é um paraíso para muitas religiões, principalmente o cristianismo. E ser cristão em nosso tempo é quase um status, onde muitas celebridades aderem a este rótulo cristão, e muitas empresas seculares que pregam inclusive o satanismo, acabaram descobrindo o potencial comercial do gueto cristão, ou gueto gospel, e estão investindo pesado. Para vocês terem uma ideia, um exemplo é: você adora... e a Som Livre toca.
Mas ser cristão é isso? É simplesmente um rótulo que representa uma pessoa que se declara da paz? Essa é a pergunta e o desafio que deixo diante de vocês: o que é ser cristão?

1 - Ser cristão é: Negar-se a si mesmo

Essa questão da negação de si mesmo não é apenas uma metáfora, nem tampouco apenas rejeitar o próprio nome. Mas, é na verdade rejeitar a própria natureza humana, que nos faz pecadores (Romanos 3.23). O Apóstolo Paulo nos dá uma ideia do que é essa natureza humana no texto de Romanos 7.18-20. Ou seja, é a herança do pecado de Adão, a desobediência a Deus. 
Todo ser humano carrega isso dentro de si, até encontrar Jesus, a vontade de ir contra a vontade de Deus e de fazer o que é errado. É daí que surge a vontade de beber, de fumar, de usar drogas, de se prostituir, de jogar, de roubar, de matar, enfim, de ser contrário a Deus.
Logo, o negar-se a si mesmo é o inicio da longa batalha entre o corpo e o espírito. É deixar de fazer aquilo que a sua natureza quer fazer, para fazer aquilo que você sabe que Deus espera de você. Infelizmente, muitos nesse processo, deixam a carne vencer.
Então, para ser um cristão Jesus afirma que o primeiro passo é negar-se a si mesmo.É rejeitar as paixões da carne. É dar um basta e dizer que não vai ceder à desobediência a Deus que um dia habitou em você, e vive te rodeando querendo voltar. Negar-se a si mesmo é dizer, o meu velho homem estaria num bar a essa hora, ou quem sabe num forró, numa balada, mas o meu novo ser está aqui adorando a Deus. O meu velho homem revidaria uma pessoa que me aborrece, mas, o meu novo ser perdoa e ama aquela pessoa. Entre outros exemplos. Isso é negar-se a si mesmo. E esse é o primeiro passo para ser um cristão.

2 - Ser cristão é: Tomar a sua cruz

O mais interessante nessa parte é que a cruz não é a dos outros, nem tampouco a de Cristo, mas a nossa própria. Isso é um tanto difícil para seres humanos acostumados a jogar a responsabilidade para cima dos outros, assim como fizeram Adão e Eva. 
Mas, a gente pode logo entender que cruz remete a sacrifício, a dor, a aflição, embora represente isso tudo, a cruz é também o símbolo maior da vitória de Jesus sobre o pecado e a morte, portanto a cruz nos representa também: vitória, vida, mas não uma simples vida, uma nova vida.
Não existe evangelho sem a cruz, ela é o palco maior da história da salvação. Mas tomar a nossa própria cruz, não é como os humoristas gostam de afirmar, um carma, um destino, ou algo pesado que nos atrapalha a viver. E isso é o que creem muitas pessoas ao dizerem de certas coisas, ou até mesmo pessoas "Esta é a cruz que eu tenho que levar!". 
Quando Jesus falava em tomarmos a nossa própria cruz, Ele falava em que assim como Ele sofreu por causa da cruz, que muitos de nós muitas vezes seremos zombados, perseguidos e afligidos por causa do amor a Cristo. Mas eu gosto de como o evangelista Lucas descreve esta passagem, pois ele afirma, que devemos tomar a nossa própria cruz todos os dias. Ou seja, devemos matar o nosso velho homem e deixá-lo na cruz, pois, a cruz é nossa passagem para a nova vida em Cristo.
Todo cristão deve passar pela cruz, ou seja, terminar de vez o processo de negar-se a si mesmo, e isso é todo dia, pois além de calar o velho homem é necessário matá-lo na cruz. Todo dia porque as lutas são diferentes e surgem novas lutas todos os dias. 
O fato da cruz ser a nossa cruz, nos dá um senso de responsabilidade, de saber que é algo que depende de mim, do meu querer, e não do outro. Ninguém aceita a Jesus por você, isso só você pode fazer. Ninguém pode desejar mudar de vida por você, isso só você pode fazer.

3 - Ser cristão é: Seguir a Jesus

Este é provavelmente o ponto mais fácil para se entender. Mas é impontante entender a progressão da ideia de Jesus. Observe que ele ordena estes passos da mesma forma em todos os sinóticos (Mateus 16.24; Marcos 8.34; Lucas 9.23). Isso nos dá uma ideia de uma espécie de regra a ser seguida para se tornar um cristão. Seguir a Jesus logo se torna o último passo neste processo, e é importante seguir a ordem começando pelos outros dois de forma progressiva, pois um leva ao outro. Assim como também vai se tornar impossível seguir a Jesus sem negar-se a sua própria natureza e vontade, e levar a sua própria cruz. É nisso que caem muitos que deixam o velho homem renascer dentro de si e voltam para o pecado.
Então, seguir a Jesus, é como o próprio nome já diz, é andar por onde ele andou, em seus caminhos, é imitá-lo, é obedecê-lo, é ser guiado pelos seus ensinamentos, é viver como ele viveu, amar como ele amou, perdoar como ele perdoou. E se tornar um pequeno Cristo, ou ser a imagem de Cristo. Isto é ser cristão.

Conclusão:

Não posso concordar com este rótulo de cristão que anda sendo espalhado pelas igrejas e inclusive pela mídia. O verdadeiro cristão é aquele que não vive segundo artistas, líderes, e qualquer outra pessoa, a não ser o próprio Cristo.
O verdadeiro cristão reflete a imagem de Cristo, e onde ele passa, nós podemos ver Cristo na vida dele.
Se você está cansado dessa velha vida, que tal experimentar a nova vida que Jesus te oferece? Se você tem sentido dificuldades nas suas lutas diárias, se o velho homem tem tentado tomar conta da sua vida de novo e você precisa aprender a tomar a sua cruz todos os dias, aceite este desafio de andar como Jesus andou, negando a si mesmo, tomando a sua cruz e seguindo os passos de Jesus.

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

O usurpador - Ezequiel 28.2

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      Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto o teu coração se elevou e disseste: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares; e não passas de homem, e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus. (Ezequiel 28.2)
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O tema escolhido para a mensagem, talvez façam muitos se lembrarem de uma novela muito famosa que tinha um nome parecido. Mas afinal, o que é um usurpador? O que ele faz? Pois então, o texto que lemos em Ezequiel 28.2, mostra muito bem qual era o desejo do coração de Satanás. Usurpar o lugar de Deus, ou seja, tomar o lugar de Deus. Embora ele não tenha conseguido executar o plano dele, ele até hoje vive tentando usurpar, ou seja, tomar não somente o lugar de Deus, mas tudo aquilo que Deus criou. Vamos ver algumas coisas que o Diabo tem tentado usurpar, tomar a força, mas que foram criado por Deus.

1 - A aliança no céu - Gn 9.11-17

Quando acabou o dilúvio, Deus fez uma aliança com Noé, na qual prometeu que nunca mais destruiria a terra por meio de um dilúvio. Para selar esta aliança Deus colocou um sinal no céu. Sinal este que nós conhecemos hoje como Arco-Íris. 
Mas quando se fala em Arco-Íris hoje o que vem a mente com os irmãos? Os irmãos deixariam seus filhos vestirem roupas com este símbolo? O diabo acabou conseguindo usurpar o selo de uma aliança criada por Deus. Pois até mesmo a palavra causa arrepios em muitos crentes que não sabem manusear bem a sua espada. Pois o diabo transformou este selo de uma aliança de Deus em bandeira de um movimento extremamente prejudicial a tudo o que Deus criou.

2 - A família - Gn 1.27-28; 2.24

É interessante observar que sobre relacionamento conjugal, ou seja, sobre casamento, a palavra de Deus não abre exceção, pois, ela mesmo, afirma que necessita ser sim, sim e não, não. Logo a Palavra diz que Deus criou macho e fêmea e pra que não restasse nenhuma dúvida ele ainda especificou em Gênesis 2.24 como teria que acontecer pra se iniciar um relacionamento conjugal. E qual o objetivo de um casamento? Ficarem os dois casados a vida inteira? Foi pra isso que Deus criou macho e fêmea? O objetivo é terem filho, formarem uma família. E qualquer coisa que foge disso, foge a vontade de Deus. Mas o diabo que já havia usurpado o casamento a muito tempo, agora vem usurpando a família também. Como pode um chamado casamento entre duas pessoas do mesmo sexo produzir filhos? Pois essa é a especialidade de Satanás, tomar a força e destruir o que Deus criou.

3 - A adoração - Lc 4.6-8

O objetivo do diabo é tomar tudo aquilo que é devido a Deus, e, a adoração é mais uma dessas coisas. E esse talvez tenha sido seu primeiro objeto de desejo. Pois era seu objetivo em Ezequiel 28 quando diz que ele queria subir acima do trono de Deus e se assentar para ser adorado como Deus é adorado. 
Isso fica evidente até hoje, nós vemos incessantemente o desespero de Satanás na sua luta contra a igreja. Pois aqueles que são a igreja, e não simplesmente vão à igreja, são a linha de frente nesse combate para impedir que o mundo se prostre aos pés de Satanás. Logo se percebe que para alcançar esse objetivo ele usa todos os meio possíveis, seja: imagens, músicas, as mídias em geral e até mesmo pessoas. 
No texto de Lucas 4, no episódio da tentação de Jesus, que está escrita na Palavra e no coração dos verdadeiros adoradores como os de João 4.23-24.

4 - As pessoas - Lc 15.11-19

De todas as coisas que Deus criou, o diabo sente um ciúme excessivo e vontade assombrosa de destruir uma em especial. Sabe qual? Você! Isso tem uma simples explicação que a gente encontra na criação do homem. Pois quando Deus cria o homem, Ele o cria a sua imagem e semelhança. O objetivo ao criar o homem era ter alguém que pudesse se relacionar com Ele por completo. 
O ser humano é a obra prima da criação de Deus, um ser criado para se relacionar com Deus por toda a eternidade, praticamente um filho que perdeu essa posição por causa do pecado, e que só foi restaurada em Jesus (João 1.12). Deus quer um relacionamento mais íntimo do que o que Ele tem com os anjos. E Lúcifer era um? Anjo! 
A parábola do filho pródigo ilustra bem o desejo de Satanás em transformar um filho em lixo, escravo, cuidador de porcos, e faminto miserável que como dizem aí fora, não tem nem onde cair morto. Quando aquele filho, que caiu na armadilha do diabo, recupera a razão, ele percebe e exclama algo muito interessante: "Poxa vida, até os empregados do meu pai tem fartura, e eu era filho, muito mais que um empregado". Ele volta dizendo: "Pai, pequei, não sou digno de ser chamado teu filho, mas me trata como um empregado". Ele sabia que se fosse tratado como um empregado teria muita fartura, mas o pai fez uma festa, para comemorar a volta do filho, e não de um empregado.

Conclusão:

Ao contrário da novela, o diabo não é um usurpador que vem para unir a família, não é bonzinho, não quer o bem das pessoas, pelo contrário ele veio matar, roubar e destruir. Ele quer tudo aquilo que é de Deus, mas como ele não pode ter, ele quer que você também não tenha. Seja esperto, fique ligado, você nasceu pra ser filho de Deus e não escravo do pecado.

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

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