Livres da lepra espiritual! - 1 Coríntios 5

 

____________________

"Agora estão dizendo que há entre vocês uma imoralidade sexual tão grande, que nem mesmo os pagãos seriam capazes de praticar. Fiquei sabendo que certo homem está tendo relações com a própria madrasta! Como é que vocês podem estar tão orgulhosos? Pelo contrário, vocês deviam ficar muito tristes e expulsar do meio de vocês quem está fazendo uma coisa dessas. Quanto a mim, ainda que não esteja presente aí pessoalmente, estou com vocês em espírito. E, agindo como se eu estivesse aí, já julguei, pela autoridade do nosso Senhor Jesus, o homem que está fazendo essa coisa horrível. Quando vocês se reunirem, estarei com vocês em espírito. Então, pelo poder do nosso Senhor Jesus, que estará presente conosco, entreguem esse homem a Satanás, para que o seu corpo seja destruído, mas o seu espírito seja salvo no Dia do Senhor. Não está certo que vocês estejam orgulhosos! Vocês conhecem aquele ditado: 'Um pouco de fermento fermenta toda a massa.' Joguem fora o velho fermento do pecado para ficarem completamente puros. Aí vocês serão como massa nova e sem fermento, como vocês, de fato, já são. Porque a nossa Festa da Páscoa está pronta, agora que Cristo, o nosso Cordeiro da Páscoa, já foi oferecido em sacrifício. Então vamos comemorar a nossa Páscoa, não com o pão que leva fermento, o fermento velho do pecado e da imoralidade, mas com o pão sem fermento, o pão da pureza e da verdade. Na outra carta que escrevi a vocês, eu recomendei que vocês não tivessem nada a ver com gente imoral. Eu não quis dizer que neste mundo vocês devem ficar separados dos pagãos que são imorais, avarentos, ladrões ou que adoram ídolos. Pois, para evitar essas pessoas, vocês teriam de sair deste mundo. O que eu digo é que vocês não devem ter nada a ver com ninguém que se diz irmão na fé, mas é imoral, ou avarento, ou adora a ídolos, ou é bêbado, ou difamador, ou ladrão. Com gente assim vocês não devem nem comer uma refeição. Afinal de contas eu não tenho o direito de julgar os que não são cristãos. Deus os julgará. Mas será que vocês não devem julgar os seus irmãos na fé? Como dizem as Escrituras Sagradas: 'Expulsem do meio de vocês esse homem imoral.'" (1Coríntios 5)
__________________________________________________

Esses dias estava lendo um estudo bíblico do Pr. David Merkh sobre o texto que nós lemos. Eu sei que a figura que salta aos nossos olhos é a do fermento, mas o pastor chamou a atenção para algo que ele deu o nome de "lepra espiritual". E é interessante observar isso, pois a figura da lepra é mencionada constantemente na bíblia, e na grande maioria das vezes está relacionada ao pecado. E é exatamente sobre essa comparação que vamos meditar neste momento, assim como Jesus se utilizava de circunstâncias físicas para explicar as espirituais, vamos nós, também, olhar para o pecado, a "lepra espiritual".

1- O que é a lepra? A palavra lepra (do hebraico TSARA'ATH) é mencionada constantemente na bíblia, sempre para designar doenças que atingiam a pele. Mas nunca se referia a um tipo específico de doença, mas sim a vários tipos de doenças assim. Embora, sempre traziam consigo uma conotação negativa no aspecto social, pois o leproso era afastado do convívio em sociedade. Hoje com o avançar da ciência já é possível diagnosticar precisamente o tipo de enfermidade na pele, e o nome genérico, lepra, foi abandonado. O tipo mais comum destas doenças ganhou o nome de Hanseníase, ela e as demais são provocadas pelo bacilo de Hansen (uma espécie de bactéria), infecciosa e que causa danos severos a nervos e a pele. Mas o que esse tipo de enfermidade tem a ver com o pecado? Muita coisa. Vejamos alguns pontos:

1.1 - Oculta: A lepra pode permanecer anos (de 2 a 7) escondida no organismo de uma pessoa até se manifestar, ou seja, até aparecer os primeiros sintomas. O pecado é assim também, se esconde no coração e na mente, e pode permanecer anos escondido em nós até demonstrar seus sintomas (ver Gálatas 5). Por isso a necessidade de vigilância. Tiago já havia escrito isso em sua epístola, ao dizer que "... havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago 1.15). Ou seja, o pecado, da sua concepção até a consumação (nascimento) leva tempo se desenvolvendo dentro de nosso ser, sendo lentamente alimentado pelos nossos desejos carnais, assim como a criança no ventre é alimentada pelo cordão umbilical. Jesus já havia nos alertado sobre isso no seu sermão conhecido como o sermão do monte, ao dizer que "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno." (Mateus 5.17-30). Jesus mais uma vez se utiliza de hipérbole (exagero) para ilustrar a questão do pecado, Ele não quis dizer literalmente que devemos sair por aí arrancando nossos olhos, mas que o que deixamos entrar por eles alimenta o pecado que deve ser arrancado, ou seja, você deve parar de deixar entrar pelos seus olhos isso que tem nutrido seus desejos carnais. Se o pecado não for alimentado ele morre de fome e é abortado antes de nascer (ser consumado). 

1.2 - Contagiosa: A lepra é uma doença contagiosa, ou seja, pode ser transmitida de um para o outro pela proximidade, contato, utensílios compartilhados e pela convivência. Assim a recomendação bíblica era o isolamento e afastamento do meio do arraial (Levítico 13.46). O Salmo 1, transmite um conselho aos que querem ser felizes, se afastar do caminho dos pecadores, dos conselhos dos ímpios, e da roda dos escarnecedores. Obviamente alguém pode pensar que de fato devemos nos afastar completamente do mundo, mas ao olhar atentamente o restante de 1 Coríntios 5, Paulo deixa claro, que os pecadores que precisam ser evitados não são os de fora, mas aqueles que se dizem "irmãos na fé" e cometem pecados tais. Estes são o fermento que leveda toda a massa, estes são os leprosos contagiosos. O fato desta doença ser contagiosa era o motivo pelo qual os leprosos eram afastados de suas casas e levados para um local isolado. Na época a lepra era tida como uma doença incurável, mas hoje já existem tratamentos capazes de curá-la. Assim os pecadores que se dizem "irmãos" é que precisam de tratamento especializado, mas o remédio é o mesmo para todos os pecadores, um bom mergulho (batismo) no sangue de Jesus. É isso o que representa a história de Naamã. O "batismo" de Naamã no rio Jordão é o que em Teologia chamamos de tipo. [Diferente de símbolo ou alegoria, o tipo é uma representação e uma referência histórica concreta. De acordo com a exegese cristã, a tipologia bíblica trata dos paralelos entre figuras ou fatos históricos (em geral do Antigo Testamento) concernentes ao plano de SALVAÇÃO e seu cumprimento posterior. Não raro, os fatos e as figuras do Novo Testamento são interpretados tipologicamente de acordo com um padrão do Antigo Testamento (Por exemplo, criação e nova criação, Adão e Cristo, o êxodo e os conceitos de salvação do Novo Testamento)]. [1] Assim o batismo [que significa tanto imergir, quanto derramar, daí vem as divergências sobre se o batismo deve ser por imersão (mergulhar totalmente o corpo), por aspersão (borrifar água sobre a pessoa) ou por efusão (derramar água somente sobre a cabeça)] de Naamã tem uma representação do que acontece no batismo com sangue. A forma como se deu, ele mergulhou sete vezes, indica aqui um padrão mais elevado para o batismo, mais do que molhar uma parte apenas do corpo, ou apenas borrifar água sobre si, mas deixar seu corpo totalmente envolto pelas águas, isso é uma tipologia imediata de como o sangue de Cristo age na vida do crente, somos mergulhados neste sangue (espiritualmente falando), completamente envoltos nele. O número de vezes que Naamã mergulha também é uma representação a isso. Naamã mergulhou 7 vezes. [O número 7 tem uma representação especial na bíblia, como um símbolo de coisas perfeitas, assim como o sétimo dia da criação, o dia da perfeição dela; a aliança perpétua feita com Noé simbolizada através de um arco no céu contendo 7 cores; a quantidade de vezes que se deve perdoar 70x7 (entenda-se isso não como uma conta, em que se deve perdoar apenas 499 vezes, mas sim como uma hipérbole, um exagero, pois se 7 já é perfeito, 70x7 é sublime, ou seja um perdão real, sincero e verdadeiro)] assim os 7 mergulhos de Naamã simbolizavam a perfeição daquele ato praticado por ele, provocando assim a cura de sua lepra, mas para o crente ser limpo dos seus pecados um único mergulho no sangue de Jesus é suficiente.

1.3 - Indolor: A pior semelhança é essa. A lepra ataca os nervos fazendo com que a pessoa perca progressivamente a sensibilidade à temperatura, ao toque, e até à dor. O pecado também, se não for tratado, te deixa completamente insensível a voz, a presença, e ao temor a Deus. São pessoas que praticamente não tem consciência e discernimento espiritual, estão mortas espiritualmente, assim como a pessoa descrita por Paulo, que continuava na prática do seu pecado, sem arrependimento, sem mudança, sem temor a Deus. Crente leproso é fácil de ser diagnosticado neste ponto, pois o crente que não chora pelo pecado, que não sente dor ao pecar, é porque está completamente insensível por causa do pecado. "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados" (Mateus 5.4), disse Jesus. Mas esses felizes por que choram não é tão simples quanto parece. Temos, muitas das vezes, a impressão que este texto é muito simples, e todos os que choram, seja pelo motivo que for, serão consolados. Assim chore a vontade, você será consolado. Será? Não é bem assim, Cristo não está falando que consolará quem chorar pelo fim da novela, ou pelo fim de um namoro, mas é só olhar o contexto que você vai entender. Jesus está sentado anunciando uma mensagem a um povo que é feliz por fazer a vontade de Deus, e esses são os felizes porque choram, os que choram de dor ao pecar contra Deus, os que choram pelas almas perdidas, esses serão consolados pelo Consolador (Espírito Santo). Foi esse o choro de Davi no Salmo 51: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares." (Salmos 51.1-4). Foi esse o choro do filho pródigo ao voltar pra casa de seu pai: "E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho." (Lucas 19.41-44). O crente que está livre da lepra espiritual, ele pode até pecar, mas ele abomina o pecado, ele chora, ele sente dor, ele se sente indigno, ele implora por perdão e se arrepende, demonstrando os frutos do seu arrependimento. Como está escrito: "Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus." (1 João 3.9); e "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." (1 João 5.18). Mas fica o alerta de Pedro: "Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo pelo pleno conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam de novo envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro. Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito, e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal". (2 Pedro 2.20-22).

Conclusão:

Se você observar atentamente os personagens bíblicos que foram acometidos por lepra (Miriã, Geazi, Uzias, etc.) e os que foram curados (Miriã, Naamã, Uzias, etc.), você perceberá que a similaridade dos sintomas da lepra e do pecado é grande. Mas como disse anteriormente a solução é uma só, o sangue de Jesus. "...mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça". (1 João 1.7-9).

Referência: [1] - Dicionário de Teologia: Edição de bolso. Editora Vida, 2007

Pr. Julio Cezar da S. Cindra

A Igreja, Corpo de Cristo - Efésios 1.22-23

____________________

E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. (Efésios 1.22-23)
____________________

O apóstolo Paulo usa uma figura muito comum a todas as pessoas para entendermos o relacionamento entre Cristo e a Igreja. Essa figura é a cabeça e o corpo. Jesus sempre buscou maneiras simples de explicar as coisas espirituais aos homens, pra isso ele usava as parábolas, que eram histórias do dia a dia, mas que traziam por trás um sentido espiritual. O apóstolo Paulo também usa desta ferramenta para explicar as coisas espirituais aos homens carnais pois como ele mesmo afirma, em 1 Coríntios 2.14, o homem natural não compreende as coisas do espírito. Por isso ele utiliza a cabeça e o corpo como símbolos do relacionamento entre Cristo e a Igreja. Mas hoje quero focar principalmente no corpo, pois todos já conhecemos os atributos da cabeça, mas todo corpo tem como processo natural 5 passos. Da mesma forma a Igreja como o corpo espiritual de Cristo deve cumprir 5 passos. São eles:

1 - Nascer (João 3.5-7)

A primeira regra da vida é que para ter um corpo, ser alguém, é necessário nascer. Daí pode surgir uma dúvida, a igreja, quando ela nasceu? No coração de Deus a igreja sempre existiu, pois a cabeça e o corpo compõem o mesmo indivíduo. E Cristo sempre existiu (Jo 1.1-3). Então a cabeça da Igreja, ou seja, a cabeça deste corpo sempre existiu. Embora seus membros fossem ganhando forma com o passar dos tempos.
Nós sabemos o que é necessário para um ser humano nascer, mas ele nasce fisicamente. Era pra todos já serem parte deste corpo desde o inicio, mas o pecado nos matou (separação) espiritualmente. Por isso nasce o corpo, mas é necessário que nasça o espírito. Quando estiveres ligado a Cristo, como seu Senhor e Salvador, nascerá espiritualmente e fará parte deste corpo chamado Igreja.

2 - Crescer (Efésios 4.15-16)

Todo corpo quando nasce necessita desenvolver, pois ninguém espera ser bebê a vida toda, nem ser criança a vida toda, nem adolescente a vida toda. O crescimento é algo natural no corpo físico, algo que esta sujeito única e exclusivamente ao tempo. Mas não é assim no corpo espiritual, para haver crescimento no corpo espiritual não basta esperar o tempo passar, é necessário se aprofundar em buscar e conhecer a Deus.
Mas todos os pais sabem que um desenvolvimento saudável depende de uma alimentação saudável, da mesma forma acontece no desenvolvimento espiritual (Hb 5.13).
Outra coisa que ajuda em um crescimento saudável é a higiene, como tomar banho, escovar os dentes, lavar as mãos, para nos limparmos de bactérias e sujeiras que podem causar doenças. A higiene espiritual é muito importante, para nos limpar do pecado (Ef 5.25b-26).

3 - Multiplicar (Mateus 28.19)

Todo corpo sente o desejo de se multiplicar, além de ser uma ordem divina dada a Adão e Eva e depois a Noé e sua família, é algo que todo ser humano carrega dentro de si. Embora muitos não tenham ou não desejem se multiplicar, é impossível que seus corpos nunca o desejassem. 
Cristo deu uma ordem a igreja: fazer discípulos. O interessante é que a multiplicação se torna algo natural após o crescimento, após a puberdade tanto menino, quanto menina já tem seus corpos aptos à multiplicação. Podemos observar este mesmo fenômeno na natureza e nos animais.
Na igreja entretanto vemos o efeito contrário, os membros nascem e multiplicam, e quando crescem que deveriam multiplicar mais ainda, param de multiplicar-se, é o chamado esfriamento do primeiro amor. Outros no entanto sempre retardam a multiplicação dizendo que "não é hora", "ainda não chegou o tempo", para esses sinto informar, mas na vida espiritual o tempos de multiplicar é a todo momento como disse Jesus (Mc 11.13-14 e 20).
Se não temos multiplicado somos estéreis espiritualmente, e um corpo que não multiplica, não tem valor. Só pode ser duas coisas: ou são corpos estéreis, ou estão desligados da cabeça, estão mortos espiritualmente.

4 - Amadurecer (Efésios 4.11-14)

O tempo traz o envelhecimento, mas não estou me referindo ao desgaste físico provocado pelo tempo. O termo mais apropriado é amadurecimento, pois a maturidade nada tem a ver com cabelos brancos e rugas, mas sim com experiência, experiência de quem já enfrentou muitas batalhas e já está calejado, ao ponto de não se assustar facilmente diante de novos desafios, e é capaz de resolver problemas com paciência e tranquilidade. Maturidade para aconselhar os inexperientes que se assustam e se desesperam com tudo.
Assim como na vida física, a maturidade espiritual vem através de lutas e batalhas e não com o simples passar do tempo. Paulo afirma isso (Rm 5.1-5). A coisa mais rara é ver crentes maduros hoje em dia. Lembrando que maturidade espiritual nada tem a ver com idade, e sim com vida com Deus.

5 - Morte (Gn 3.19)

Todos nós sabemos que o salário do pecado é a morte, e que todo corpo tem como caminho natural nascer, crescer, multiplicar, envelhecer, e morrer. A morte física é uma realidade para todos, sendo igreja ou não (Hb 9.27), mas a morte espiritual não faz parte da realidade da igreja de Cristo (Jo 11.25-26). Mas cremos não apenas na vida espiritual, mas na ressurreição dos corpos antes físicos, agora glorificados (1 Co 15.35;42-44). Cremos em uma vida eterna ligados em Cristo.

Conclusão:

Pra tudo isso acontecer na tua vida é necessário que você esteja ligado em Cristo. Se faça essas perguntas: Eu já nasci de novo? Estou crescendo na fé ou ainda sou bebê espiritual? Como está meu alimento espiritual e minha higiene espiritual? Eu tenho multiplicado ou será que sou estéril espiritual? Posso dizer que alcancei maturidade espiritual? E por fim, estou pronto pra partir? Terei uma vida eterna ao lado de Cristo? Viva uma vida espiritual, lembre-se você é a igreja, você é membro do corpo de Cristo, se estiveres ligado a cabeça, nunca morrerá, pois Cristo vive e reina eternamente, e como corpo viveremos e reinaremos com Ele. Tá ligado irmão? (Ap 22.5)

Pr. Julio Cezar da S. Cindra 


Estudos teológicos - A tarefa missionária em meio às diferenças culturais

A tarefa missionária em meio às diferenças culturais

Jesus Cristo veio ao mundo, morreu, ao terceiro dia ressuscitou e subiu ao céu deixando a promessa que um dia voltaria do mesmo modo como subiu. Mas antes de subir deixou uma ordem expressa nos evangelhos chamados sinóticos: "Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." (Mt 28.19); "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura." (Mc 16.15); "[...] e em meu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações começando por Jerusalém." (Lc 24.47). Esta ordem também está presente no livro de Atos dos Apóstolos: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra." (At 1.8).
Eis aí a maravilha e o desafio do cristianismo. Como cumprir esta ordem levando o evangelho, a Palavra de Deus, até os confins da terra? Como apresentar Jesus a outras culturas, povos, línguas e nações? Como comunicar a verdade sem deixá-la perder a sua essência? Este é o maior desafio daqueles que se dispõem a cumprir esta ordem deixada por Cristo.

Primeiros passos

Todo missionário antes de pregar o evangelho em uma cultura que lhe é estranha precisa aprender, ou seja, conhecer sobre a cultura onde ele irá trabalhar. Sobre isso o Rev. Gildásio Reis afirma:
Dificilmente uma pessoa poderá sentir as dificuldades do trabalho missionário a menos que esteja envolvida ativamente neste campo. Tais dificuldades parecem ser maiores quando o trabalho missionário se dá em uma outra cultura que não a do missionário. As diferenças culturais e as surpresas são incalculáveis. De maneira nenhuma, o missionário pode comunicar bem o evangelho, se ele desconhecer a cultura das pessoas que irão ouvi-lo.(1)
Logo, o primeiro passo para qualquer pessoa que esteja envolvida no trabalho missionário, em outra cultura, é conhecer essa cultura para que possa transmitir a mensagem de forma clara para que as pessoas possam entender. Pois falta de sensibilidade por parte do missionário pode tornar essa tarefa, além de difícil, improdutiva. Sobre isso Bruce Niholls afirma o seguinte:
Os comunicadores evangélicos frequentemente subestimam a importância dos fatores culturais na comunicação. Alguns se preocupam tanto com a preservação da pureza e das suas formulações doutrinárias que tem sido insensíveis aos padrões de pensamento e comportamento culturais das pessoas às quais proclamam o evangelho.(2) 
A importância de se transmitir algo que se entenda é fundamental, até porque "comunicação não é o que você fala, mas o que o outro entende. Se o outro não está entendendo, você não está comunicando direito." (3). E isso quando se dá em outra cultura é muito mais difícil. Pois se nós muitas vezes já temos dificuldade de nos entendermos dentro de uma mesma cultura que nos é familiar, imagina ter de enfrentar as barreiras de comunicação que são impostas por uma cultura estranha. O Rev. Gildásio fala que:
É inquestionavelmente e universalmente aceitos entre os missiólogos e missionários, que é praticamente impossível comunicar o evangelho de maneira que faça sentido em circunstâncias transculturais sem que seus comunicadores conheçam a cultura daqueles que eles desejam alcançar.(4)  
Parece uma besteira se preocupar em aprender o que o outro entende como certo e errado, como morte e vida, como Deus. Mas é fundamental para que a palavra, ou seja, a semente lançada caia em boa terra e dê frutos. Para tal precisamos entender o que é cultura.

A cultura

"Conjunto de comportamentos e ideias característicos de um povo, que se transmite de uma geração a outra  e que resulta da socialização e aculturação verificadas no decorrer da sua história." (5) Ou também "[...] um sistema integrado de padrões comportamentais aprendidos, compartilhados e transmitidos de geração em geração, que distinguem as características de uma determinada sociedade." (6)
Essas ideias apresentadas sobre cultura de um povo, ou seja, o aglomerado de tudo aquilo que é caraterística intrínseca de um povo que vem de gerações, e é natural: como língua, modo de vestir, noções de moral e ética, crenças; faz-nos entender que muitas vezes o que é certo para um não é para o outro. E assim como os valores morais mudam, os valores de crenças também. Pois o que é pecado para um, para outro não é. O conceito sobre Deus, céu, inferno, morte e salvação são diferentes também. Não é só a barreira da língua que precisa ser vencida, mas também a da compreensão.

Colocando em prática

Agora que sabemos o que é a cultura de um povo, e que para comunicar o evangelho em uma cultura diferente o missionário precisa conhecer essa cultura, fica a questão depois de conhecer a cultura. O que fazer? Como colocar em prática? Como contextualizar a mensagem de uma forma coerente?
O Pr. Ebenézer Bittencourt no DVD Quebra de Paradigmas, diz: "Nós precisamos aceitar o desafio de adaptar métodos [...] o evangelho é inegociável. [...] Mas nós temos que ter sensibilidade cultural." (7) Ou seja, não existem regras que determinem métodos de como comunicar o evangelho. O que deve nortear o missionário quanto a métodos é a sensibilidade cultural. A única exigência inegociável é a essência do evangelho. Logo, o missionário pode e deve alterar o método quando necessário, mas nunca abrir mão da essência das escrituras, tendo em mente sempre de que ele é apenas um simples mensageiro, uma fonte secundária, nunca uma fonte primária.
Sobre as estratégias de evangelização o pacto de Lausane diz o seguinte:
O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a benção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas escrituras. [...] O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissa aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; para a glória de Deus.(8)
Uma das coisas que atrapalham o desenvolvimento do trabalho missionário em outra cultura é exatamente o fato de o missionário tentar infiltrar a sua própria cultura na cultura aonde ele foi inserido, e que lhe é estranha. Ronaldo Lidório comenta o seguinte:
Olhando as frentes missionárias despreocupadas com a contextualização encontraremos, abundantemente, templos de cimento para culturas de barro, pianos de cauda para povos dos tambores, terno e gravata para os de túnica e turbante, sermões lineares para pensamentos cíclicos, sapatos engraxados para pés descalços. Tão ocupados em exportar nossa cultura nos esquecemos de apresentar-lhes Jesus, Deus encarnado, totalmente contextualizado, luz do mundo.(9)  
Na Bíblia nós temos um exemplo clássico do jeito correto de se contextualizar o evangelho para uma outra cultura, e o nome desse exemplo é "Paulo". O apóstolo Paulo viajou para diversos lugares, se deparando com diversas culturas, línguas e crenças totalmente diferentes da cultura que lhe era a de origem. Mas soube como ninguém conhecer a cultura onde estava inserido e trazer mensagem de forma clara e contextualizada para aquela cultura, como no caso magistral de seu discurso no areópago, onde utilizou da própria cultura grega, inclusive citando poetas gregos como forma de demonstrar conhecimento daquela cultura, para anunciar o evangelho.
Um exemplo errado que temos na Bíblia é o caso de alguns cristãos judeus, que queriam a todo custo que os gentios que se convertessem ao cristianismo fossem circuncidados como mandava a lei mosaica. O apóstolo Pedro precisou de uma visão do céu para entender que estava fazendo da forma errada.
Mas fica claro que este é um grande desafio de nossos dias. A tarefa de anunciar o evangelho de forma que o outro entenda sem deturpar a mensagem e evitar o efeito "telefone sem fio", onde a mensagem começa certa, mas termina errada.
O Pr. Ebenézer Bittencourt conta que um missionário que trabalhava com os índios de um tribo brasileira, ao lhes falar sobre João 3.16, eles não entendiam, porque quando chegava a parte do perecer, ou seja, morrer, eles não entendiam. Pois na cultura deles morrer era algo bom, pois eles acreditavam que se transformariam em outra coisa. Diante dessa barreira o missionário pensou como traduzir aquilo de uma maneira que eles entendam e que não ferisse o sentido da mensagem. E ao observar aquela cultura notou que para eles a coisa mais imunda e ultrajante que eles repudiavam era uma banana podre. A partir daí aquele missionário disse a eles: "Que Deus mandou seu filho ao mundo para que todo aquele que nele crer, não vire uma banana podre [...]", a tribo entendeu, mas aquele missionário se mostrou preocupado, pois sabia que ninguém entenderia o dilema que ele viveu.(10)
Não existe uma fórmula pronta de como fazer, o que deve prevalecer nessa tarefa missionária é o bom senso do missionário, tanto para a cultura onde ele está inserido, como para com a essência da mensagem bíblica.

Citações:

(1) - Apostila de Missiologia, p. 27.
(2) - Apostila de Missiologia, p. 27.
(3) - DVD Quebra de Paradigmas na Comunicação, Pr. Ebenézer Bittencourt.
(4) - Apostila de Missiologia, p. 27.
(5) - Apostila de Missiologia, p. 32.
(6) - Apostila de Missiologia, p. 32.
(7) - DVD Quebra de Paradigmas na Comunicação, Pr. Ebenézer Bittencourt.
(8) - Apostila de Missiologia, p. 32.
(9) - LIDÓRIO, Ronaldo. A teologia bíblica da contextualização (contextualização missionária), p. 32, 33.
(10) - DVD Quebra de Paradigmas na Comunicação, Pr. Ebenézer Bittencourt.

Referências bibliográficas:

Apostila de Missiologia. Disponível em: <http://www.seminariojmc.br/datafiles/documentos/Apostila%20de%20Missiologia%20JMC%202006b.pdf>. Acesso em: 21 jun. 2012

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição revista e corrigida no Brasil. São Paulo. Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

BURNS, Bárbara Helen (Ed.). Contextualização missionária: desafios, questões e diretrizes. São Paulo, Vida Nova, 2011.

QUEBRA DE PARADIGMAS na comunicação. Produação: Instituto Haggai. São Paulo: Haggai, 2008. (90 min), DVD.

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

Estudos teológicos - A responsabilidade missionária de Israel

A responsabilidade missionária de Israel

O cristianismo em todo o mundo tem como um de seus pilares principais a obra de evangelização, ou seja, a obra missionária. E nós conhecemos a história de Jesus e sobre a ordem deixada por Ele para seus discípulos, mais conhecida como o "ide", também chamada de a "grande comissão" que está registrada nos evangelhos chamados sinóticos (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18; Lc 24.46-48), e também em Atos dos Apóstolos (At 1.8). Muitos pensam que missões começa aí. Bem, na vida da igreja cristã sim, pois a igreja começa ao mesmo tempo, o "ide" faz parte do início da igreja. Mas é um erro afirmar que missões só começa a fazer parte do projeto divino de Deus partir daí.
Se pensarmos que missões no projeto divino, começa com o "ide", estaremos também pensando que o povo de Israel nunca fez parte de tal projeto de forma ativa, no máximo passiva como o povo de onde veio o Cristo.
Mas será que missões realmente começa com o "ide"? Será que Israel era apenas figurante nesse projeto elaborado pelo próprio Deus? Para entender a importância de Israel nesse contexto e sua responsabilidade nele, precisamos descobrir o que é missões, onde começa missões e qual sua verdadeira origem. Será que o "ide" é o início de um projeto divino, ou um cumprimento de um projeto começado muito antes? Vamos procurar responder estas perguntas.

O nascimento de missões

Ao contrário do que se imagina e do que se é ensinado por aí, missões é muito anterior ao "ide", a "grande comissão", missões tem sua origem no coração de Deus. Mas como entender isso? Voltemos a criação.
Eugene Merrill afirma que "[é necessário entendermos que] Deus não criou o universo como objeto de escrutínio acadêmico, mas como a arena na qual Ele pode revelar algo da natureza e dos intentos d'Ele."(1)
Em Gênesis, no princípio, Deus criou todas as coisas, mas dessas coisas que Ele criou entre céu, terra, mar, animais, nós vemos que de todas as coisas que Ele criou, uma é especial para Ele. Em uma dessas criações de Deus, Ele fez questão de fazê-la conforme a sua imagem e semelhança (Gn 1.27, 28), soprando nela seu fôlego de vida (Gn 1.26; 2.7).
A intenção de Deus em criar o homem, sua coroa da criação, era a de que o homem se relacionasse com Ele, um ser capaz de pensar, se comunicar e entender as manifestações desse Deus que lhe deu a vida. Mas nesse percurso algo deu errado, o pecado entrou na história humana, distorcendo essa imagem de Deus com a qual o homem foi criado, e abrindo um abismo que levou o homem a se afastar de Deus. Essa história é narrada na Bíblia como a queda do homem (Gn 3). Colocamos homem aqui, mas porque foi Adão que desobedeceu. Mas a Bíblia nos é clara quando coloca que ele foi a porta por onde o pecado entrou na humanidade inteira (Rm 5.12). Timothy Carriker vai descrever a preocupação universal de Deus com o projeto missionário assim:
Destaca-se aí a amplitude da preocupação de Deus e, por conseguinte, o palco de missões. Nada menos que o mundo inteiro pertence à esfera do interesse de Deus. Antes de ser uma preocupação mais restrita, a preocupação é basicamente universal. Antes de ser o Deus de Israel, Ele é o Deus do universo. Antes de ser o Deus da igreja, é o Senhor de tudo.(2)
Missões nasceu no coração de Deus, como uma resposta direta e objetiva a queda do homem diante do pecado. E seu objetivo era universal sim desde o princípio. Jesus vai comprovar isso ao dizer que sua vinda que era anunciada há muito tempo pelos profetas, era um cumprimento de um plano de Deus por amar o mundo inteiro (Jo 3.16).
Então sabemos que um plano de restaurar e ligar esse homem perdido novamente a seu criador foi colocado em prática, mas Deus precisava de ferramentas para fazer com que esse homem perdido, o conhecesse e o reconhecesse como aquele de quem se afastou por causa do pecado. 
[Pecado esse que aumentou tanto que levou Deus a dizer]: "Chega! Vou acabar com toda a raça humana e começar tudo de novo com uma só família"(3)
Em Noé, já vemos um tipo de missões narrada pela Bíblia. Mas surgem três agravantes ao processo missionário: a confusão das línguas, gerando uma distribuição geográfica gigantesca e criando culturas; o aumento da população, cumprindo o frutificai e multiplicai-vos (Gn 9.1); e a difusão de lendas, criando falsas religiões e falsos deuses tirando o homem do verdadeiro caminho. Tudo isso sem contar o aumento da prática do pecado em todo o mundo.

A eleição para o serviço

A Bíblia vem narrando a história da humanidade e falando universalmente até Gênesis 11, e a partir daí as atenções se concentram  em um homem: Abraão. De Gênesis capítulo 12 em diante a Bíblia começa a narrar a história desse homem semita que deu origem à nação de Israel, e de como esse homem foi escolhido por Deus para testemunhar desse Deus de forma magnífica entre as nações.
Deus agora escolhe um homem para através dele, divulgar a extensão das suas obras e do seu amor. Abraão respondeu a esse chamado com fé, entretanto esse chamado não era um fim em si mesmo, ele era um meio para um fim que seria cumprido muito tempo depois. Agora Abraão tinha uma missão: "ser benção" (Gn 12.2), e este chamado seria estendido a todos os seus descendentes, dando a Abraão o nome de Pai da Fé (Gn 22.18). Sobre isso Carriker diz: 
Este chamado de Abraão repetiu-se para seus descendentes [...] Esta "descendência" refere-se [...] Em primeiro lugar, ao povo de Israel. A missão de Abraão passou também a seus descendentes, pois o chamado à missão repetiu-se tanto para Isaque (Gn 26.2-4) quanto para Jacó (Gn 28.13-14) e José (Gn 49.22).(4)
E ele continua:
[...] desde o início, o chamado de Israel como nação foi feito a fim de alcançar todas as famílias, ou seja, todas as nações da terra. O propósito de Deus no levantamento de Israel era mostrar ao mundo, mediante sua história, o caminho da salvação, e assim levar todos os povos a gozar esta benção. O foco no mundo uma vez mais se destacou. Esta ênfase nunca se perdeu no Antigo Testamento, embora, às vezes, tenha sido obscurecida. A história de Israel é uma história de missões.(5) 
Ao longo da história de Israel ia ficando claro que o propósito de Deus iria levar a algo muito maior, pois o objetivo de seu projeto era e sempre foi alcançar todas as nações. Nos episódios do Êxodo podemos ver os milagres realizados por Deus para libertar o seu povo "escolhido". E os milagres também tinham um propósito. 
Carriker afirma que "os milagres de Deus não objetivavam algo para Israel, mas eram uma forma de conduzir as nações à salvação."(6)
Após os episódios do Mar Vermelho e do Rio Jordão, Josué diz: 
Porque o Senhor, vosso Deus, fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, como o Senhor, vosso Deus, fez ao Mar Vermelho, ao qual secou perante nós, até que passamos. Para que todos os povos da terra conheçam a mão do Senhor é forte, a fim de que temais ao Senhor, vosso Deus, todos os dias. (Js 4.23-24).
A intenção era fazer com que os povos temessem a grandiosidade de Deus. 
Pois o "'temer', para o hebreu, significava aliança que tinha quanto à sua fé, assim como, hoje em dia, o termo popularmente usado é 'religião'".(7) 
Davi foi outro que entendeu este conceito de fazer os outros povos saberem que existia um só Deus, e que este Deus queria que todos os povos o conhecesse e o seguisse pela fé para a salvação. Davi expressou isso ao enfrentar Golias:
Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-te-ei a cabeça e os cadáveres do arraial dos filisteus darei, hoje mesmo, às aves dos céus e às bestas-feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel. (1Sm 17.45-46, grifo meu) 
Muitos salmos davídicos também expressam esta mesma consciência missionária da parte de Israel, de representar a Deus diante das nações. Alguns deles são: 66, 72, 86, 96, 98 e especialmente o verso primeiro do 117.
Carriker nos mostra também que Salomão, ao orar dedicando o templo a Deus, expressou a mesma "visão missionária" a respeito de Israel:
Ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome. (1Rs 8.43, grifo meu) 
O profeta Isaias também fez menção a universalidade do projeto divino, e como o templo também fazia parte desse projeto:
Aos estrangeiros que se chegam ao Senhor, para o servirem e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus [...] também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos. Assim diz o Senhor Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos. (Is 56.6-8, grifo meu) 
Como eu havia chamado a atenção anteriormente, o povo muitas vezes deixava de lado tal responsabilidade missionária, tendo que ser chamado novamente a essa responsabilidade pelos profetas, que traziam sempre à lembrança do povo de Israel o seu verdadeiro sentido de serem "eleitos" por Deus. 
Sobre isso Carriker afirma que "os profetas chamavam o povo de Israel para voltar a essa visão universal de Deus, pois Israel tendia a ter uma perspectiva nacional e exclusivista."(8)
A "eleição" no Antigo Testamento se difere em significado do tipo de eleição impregnado em nossa mente nos dias atuais, muito difundida pelo novo olhar lançado à luz do Novo Testamento. Essa "eleição" tinha por finalidade, no Antigo Testamento, um propósito de serviço. Era uma eleição para serviço. Diferente do sentido de "eleito" que temos hoje, que nos traz a mente um sentido soteriológico, de salvação.
O povo de Israel sabia de sua eleição, e de que essa eleição era um chamado a um serviço designado pelo Senhor. Mas essa consciência de escolha Divina por eles em meio a tantos povos, certas vezes culminava em orgulho que Th. C. Vriezen chama de "sentimento de eleito".(9) Vriezen também nos chama a atenção que muitas vezes essa dificuldade de entendimento pode ter sido ocasionada pelo paradoxo que existe entre o propósito da eleição e a advertência de Deus sobre não terem ligações com outras nações (10). Isso pode ter gerado uma confusão na interpretação dessa eleição. Pois como Deus os escolheria para servir a Ele e as outras nações, se ordenou que não tivessem ligações com as mesmas?
A resposta é simples. Deus levantou Israel para mostrar que existe um único Deus, um único caminho, uma única porta para a salvação do homem. E as nações estrangeiras por estarem afastadas de Deus, criaram em suas culturas lendas, e deuses que acreditavam serem os verdadeiros senhores. E era isso que Deus não queria que Israel absorvesse. A vontade de Deus era que Israel influenciasse o mundo, e não que fosse influenciado pelo mesmo.
Esse "sentimento de eleito", que Vriezen aponta, surgia de um olhar errôneo da doutrina da eleição que muitas vezes levava o povo a se sentir superiores as outras nações, e esse não era o propósito divino. O verdadeiro propósito da eleição era o de servir a Deus e às outras nações. Lógico que o relacionamento entre Javé e Israel é muito importante, mas não é tudo, pois o propósito divino é mais completo. É levar as outras nações a também terem um relacionamento com Ele. 
"Em Israel, Deus buscava o mundo. Isso é o que nos mostra vozes como Rute, Jonas e (Segundo) Isaías"(11)
Os profetas sempre evidenciaram esta responsabilidade de Israel. Carriker diz:
Jeová seria o Deus da salvação de todos: "Olhai para mim, e sede salvos, vós, todos os termos da terra" (Is 45.22); "diante de mim se dobrará todo joelho" (Is 45.23). O profeta Sofonias reconhecia esta perspectiva: "Então darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do Senhor, e o sirvam de comum acordo". Assim também Malaquias: "Mas desde o nascente do sol até o poente é grande entre as nações o meu nome..." (Ml 1.11). Aos estrangeiros é dado o título "povo de Deus" (Os 2.23) (12)
Sobre esta eleição iniciada há muito tempo com o chamado de Abraão, Walter Kaiser afirma que: 
Deus deu uma promessa a Abraão, e, através dele, à humanidade inteira; uma promessa eternamente cumprida e se cumprindo na história de Israel; e principalmente cumprida em Jesus Cristo, sendo Ele aquilo que é principal na história de Israel. (13) 
 Esta eleição de Israel para o serviço a Deus como missionários entre os povos, sempre apontava para frente, para um futuro. O que viria a seguir seria um cumprimento de um processo iniciado com aquele povo há muitos anos atrás. Em muitas coisas no Antigo Testamento nós vemos o anuncio de um Messias, que no pensamento israelita viria para libertar o povo de exércitos e liderá-los entre os povos. Como está em Zacarias "Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o Eufrates até as extremidades da terra."(Zc 9.10)
Mas no objetivo divino, viria para libertar todos os povos do pecado que os afastou de Deus no início e dar a eles a oportunidade de serem feitos, não somente servos, mas, filhos desse Deus maravilhoso. Kaiser nos mostra que o Apóstolo Paulo entendeu a responsabilidade que pairou nos ombros de Israel no passado e que esta se cumpriu em Jesus Cristo, e continua se cumprindo até hoje:
Paulo fez com que os crentes gentios fossem parte da "família de Deus" (Ef 2.19) e parte do "descendente de Abraão" (Gl 3.16-19). Além disto, chamou-os de "herdeiros" conforme a promessa (Gl 3.19), "herança" esta que era parte da "esperança do seu chamamento" (Ef 1.18) e parte da "eterna aliança" dada a Abraão (Hb 9.15). Assim, os gentios, que eram "separados da comunidade de Israel" (Ef 2.12) "estrangeiros e peregrinos" (v.19) às "alianças da promessa" (v.12), foram levados a co-participar em parte das bênçãos de Deus. (14)
E Kaiser continua:
[...] O que Paulo está ensinando é que os crentes gentios foram "enxertados" na oliveira judaica (Rm 11.17-25) e feitos "co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho" (Ef 3.6). Sendo que "a salvação vem dos judeus" (Jo 4.22) e sendo que há apenas um aprisco, um Pastor, e, ainda, "outras ovelhas, não deste aprisco" (Jo 10.16) não seria muito surpreendente ver os escritores do NT acrescentando à tese emergente do AT que havia apenas um povo de Deus e um programa de Deus embora houvesse vários aspectos daquele povo único e programa único. (15) 
Este sempre foi o propósito de Deus, expressado por Jesus, e em Jesus. E então nós vimos surgir em Jesus não uma proposta missionária universal, pois tal proposta já existia, mas sim o desafio de elevar esta proposta a níveis mais altos. O objetivo agora é avançar, sair de nossa "zona de conforto" e alcançar cada vez mais longe.
E voltamos ao nosso ponto de partida, o "ide". E podemos perceber que ali foi o cumprimento do projeto e não o seu início. E que o papel de Israel nesse projeto, foi muito maior do que o de apenas observar tudo inertemente. Ou de querer gloriar-se por ser o povo escolhido para desfrutar das bençãos de Deus. Mas o papel de Israel era o de mostrar ao mundo esse Deus maravilhoso que tudo criou, e, como Ele se importava com todas as nações. Lógico que a revelação progressiva de Deus através da história pode ter feito Abraão entender menos deste propósito do que José, Moisés, ou até mesmo Davi.
Mas o autor de Hebreus é bem claro que pela fé eles creram no Messias, em quem todas as alianças foram cumpridas. E agora, podemos dizer que o "ide" é o aperfeiçoamento de um projeto dado a um povo escolhido, que mesmo com suas falhas executou sua missão, graças a fibra e fé, de homens que não deixaram a chama se apagar em seus corações. E a responsabilidade do Israel do Antigo Testamento, dá lugar agora a responsabilidade do Israel que surge à luz de Cristo no Novo Testamento, a Igreja! 

Citações:

(1) - MERRILL, Eugene H.. Teologia do antigo testamento, p. 137.
(2) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 8.
(3) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 11, 12.
(4) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 14.
(5) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 14, 15.
(6) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 15.
(7) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 15.
(8) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 17.
(9) - VRIEZEN, Th. C., 1953, apud, SMITH, Ralph L., Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem, p. 120.
(10) - VRIEZEN, Th. C., 1953, apud, SMITH, Ralph L., Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem, p. 120.
(11) - VRIEZEN, Th. C., 1953, apud, SMITH, Ralph L., Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem, p. 119.
(12) - CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais, p. 17.
(13) - KAISER, Walter C.. Teologia do Antigo Testamento, p. 271.
(14) - KAISER, Walter C.. Teologia do Antigo Testamento, p. 277.
(15) - KAISER, Walter C.. Teologia do Antigo Testamento, p. 271, grifo do autor.


Referências Bibliográficas

BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. 2ª Ed, Barueri, Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. Edição Revista e Atualizada no Brasil.

CARRIKER, C. Timothy. Missões na bíblia: princípios gerais. São Paulo, Vida Nova, 1999.

KAISER, Walter C. Trad. Gordon Chown. Teologia do Antigo Testamento, 2ª Ed, São Paulo, Vida Nova, 2007.

MERRILL, Eugene H. Trad. Helena Aranha, Regina Aranha. Teologia do antigo testamento, São Paulo, Shedd Publicações, 2009.

SMITH, Ralph L. Trad. Hans Udo Fuchs, Lucy Yamanki. Teologia do antigo testamento: história, método e mensagem, São Paulo, Vida Nova, 2001.

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

Série 7 passos para uma vida vitoriosa - Os princípios da Palavra de Deus (Parte 2) - Salmo 1.2-3

______________________

Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.
Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual da o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
(Salmos 1.2-3)
__________________________________________________

2 - Para viver uma vida vitoriosa: O que devo fazer?

A gente já falou sobre o que não deve ser feito para alcançar uma vida vitoriosa (para ver a parte 1 clique aqui). Agora vamos meditar sobre o que devemos fazer! 
Quando o salmista começa o verso 2 com a palavra "Antes" ele expressa que o que está escrito no verso 2 deve vir sempre antes na vida do crente, do que o que está escrito no verso 1. E de preferência que nunca venha as coisas do verso 1 sobre nós. 
Para alcançarmos muita felicidade ao lado de Deus o salmista aponta duas coisas. Veja quais são:

Ter prazer na lei do Senhor

A Lei a que o salmista se refere pode ser para algumas pessoas os 10 mandamentos. Mas para o salmista, o povo do Antigo Testamento e os judeus, a Lei é o Pentateuco, os 5 primeiros livros da Bíblia escritos por Moisés. Mas para nós, cristãos, a Lei é toda a Palavra de Deus. O salmista diz que alcançamos felicidade com Deus se tivermos prazer na sua lei. Ou seja, Deus sempre deixou claro que ama ao que dá com alegria, ao que ama os seus mandamentos. Por isso não adianta tentar chamar a atenção de Deus fazendo alguma coisa por obrigação, inveja, vaidade, ou qualquer outro motivo que não seja por prazer. E aqui se refere aqueles que tem prazer pela Palavra de Deus, que não a leem por ler, mas sim porque a amam. Esse é um passo para ser feliz com Deus.

Meditar na lei de Deus de dia e de noite

Meditar tem o sentido de se debruçar em cima de algo para um estudo mais profundo, mas também tem o sentido de refletir. Como quando algo fica na sua cabeça o dia inteiro. Uma música que te faz lembrar situações; ou um filme que te emociona, cativa; ou as palavras de alguém que te fazem repensar sobre coisas, decisões e momentos da sua vida. Meditar na Palavra de Deus é coloca-la a prova nas sua vida, como quando você quer recortar um círculo e você pega o papel, a tesoura e um molde de um círculo perfeito, e coloca sobre aquele papel quadrado e corta as pontas e sobras para que tenha a forma do molde. E você coloca a palavra sobre a sua vida e ela vai te mostrar as arestas que precisam ser reparadas até que você tenha a forma de Cristo. E o de dia e de noite dá a ideia de que isso não pode ser feito uma vez no ano, uma vez no mês, uma vez na semana, ou até mesmo uma vez no dia. Mas deve ser algo contínuo, que não deve parar. Esse é mais um passo para ser feliz com Deus.

Conclusão:

O verso 3 começa trazendo a palavra "ele", mas quem é esse tal de "ele" a quem o salmista se refere? "Ele", é o Bem-aventurado que "não anda segundo o conselho dos ímpios", que "não se detém no caminho dos pecadores", que "não se assenta na roda dos escarnecedores", que "tem prazer na lei do Senhor", e que "medita na lei do Senhor de dia e de noite". É dessa pessoa que o salmista está falando: o Bem-aventurado. O salmista diz que o bem-aventurado é como árvore plantada junto a corrente de águas. Todos os que um dia já tiveram a oportunidade de plantar uma árvore, ou qualquer planta que seja, sabe que existe algo indispensável para a vida delas, que é a água. Pois sem água, a planta não sobrevive. Mas a planta tem uma forma especial de sugar a água, ela não suga pelas folhas, ou pelas áreas que vemos. Mas e a parte da planta que não vemos, a responsável pela sua vida: as raízes! Por isso, uma planta que é plantada em lugares áridos, necessita ser regada pelos homens e pela chuva, se não ela morre. Mas uma planta que é plantada junto a corrente de águas não necessita de ser regada. Pois suas raízes descem dentro da terra e se alimentam da água corrente que lhe traz sempre água nova e fresca. Assim são os "Bem-aventurados", ou os "muito felizes" que não vivem momentos de alegria, vida e adoração, mas se alimentam da fonte de alegria, vida e adoração, da fonte que jorra águas vivas.

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

Série 7 passos para uma vida vitoriosa - Os princípios da Palavra de Deus (Parte 1) - Salmo 1.1

______________________

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
______________________

Chegamos ao 6º passo, que na verdade também é o 7º, pois vou dividir este estudo em duas partes, duas mensagens diferentes, englobando os princípios da palavra de Deus para as nossas vidas. Hoje veremos a parte 1, ou seja, o sexto passo. Já falamos sobre a importância de Abandonar a murmuração (1º Passo), Santidade (2º Passo), Ter Jesus como alicerce (3º Passo), Tomar nossa própria cruz (4º Passo) e Aprender com as tribulações (5º Passo). Mas focamos a nossa atenção hoje aos princípios bíblicos que nos levam à uma vida vitoriosa.
Pense na seguinte ilustração. Você comprou um produto e ele veio desmontado, e agora você precisa montar cada peça em seu lugar. E junto com o produto veio um papel, chamado de manual, onde se encontra as instruções para que você encaixe uma peça na outra com perfeição e obtenha a vitória na montagem daquele produto. Ou então, você vai receber uma visita em sua casa, e resolve preparar um bolo, e os ingredientes estão todos a sua disposição. Mas tem um livro onde você encontra a receita, ou seja, o modo de preparo para que tenha um bolo do jeito que você imagina. Ou então você está doente e o médico manda você tomar um certo remédio. Junto com o remédio, vem um papel chamado de bula, que lhe ensina o jeito correto de tomar o remédio, para que aquele medicamento produza o melhor efeito e auxilie na cura.
Assim sendo, já ouvi pessoas fazerem a seguinte afirmação: "O ser humano devia ter vindo com um manual de instruções!" Mas quem disse que não veio? Diante de nós está o manual, a receita e a bula de Deus para a humanidade: A Palavra de Deus, a Bíblia. E analisando o Salmo 1 veremos alguns princípios estabelecidos por Deus para uma vida vitoriosa.

1 - Para viver uma vida vitoriosa: O que devo fazer?

O Salmo começa com uma expressão que também ficou famosa no discurso que Jesus realizou em Mateus 5, como: as "Bem-aventuranças". Mas essa palavra: "Bem-aventurado", o que ela significa? Bom, a palavra aventurado significa: FELICIDADE. Mas não uma espécie de felicidade qualquer. Não a felicidade de ouvir algo engraçado, mas a felicidade que brota de dentro, como quando seu amor é correspondido; como quando o pai segura o filho no colo pela primeira vez; como quando você se sente amado incondicionalmente. E o uso da expressão "Bem", dá mais ênfase e força a essa felicidade. Ou seja, você quer descobrir como ser BEM-FELIZ, ou MUITÍSSIMO FELIZ ao lado de Deus? Então veja o que você deve evitar:

Andar segundo o conselho dos ímpios:

A palavra andar aqui no texto, tem o sentido de seguir. É alguém que segue fielmente o conselho dos ímpios. O interessante é que o salmista destaca três tipos de pessoas: os ímpios; os pecadores; e os escarnecedores. Para aprendermos a desprezar o conselho dos ímpios precisamos aprender quem são os ímpios. Depois falaremos dos pecadores e escarnecedores. A palavra ímpio vem de impiedade, ou aquele que não é piedoso, ou não tem religião. Aquele que despreza as leis de Deus, e as dos homens também.
Ou seja, seguir o conselho dos ímpios é tornar-se discípulo deles, dar ouvidos ao que eles falam. É fazer o que eles fazem. Ir contra Deus, contra a igreja, contra a família, contra si mesmo. O ímpio é aquele que vai chegar pra você e dizer que pra ser feliz você não precisa de Deus, da igreja. Ele vai dizer que pra ser feliz você precisa zoar, beber, farrear, correr, bater-pega, infringir as leis, viver no limite, pois não temem a Deus. Não deem ouvidos a esses se quiserem ser felizes e vitoriosos.

Se deter no caminho dos pecadores:

Quem são os pecadores? Lembrem-se de que os ímpios desprezam a Deus, os pecadores não. Os pecadores reconhecem a Deus, mas desprezam a sua vontade. Portanto o desvio dos ímpios é duplo: moral e espiritual. Enquanto o desvio dos pecadores é de ordem espiritual. Respondendo a pergunta, a Bíblia diz que todos pecaram (Romanos 3.23). Mas o grande problema destacado no texto não é se um dia você pecou e se arrependeu, mas sim, o viver na prática do pecado. Pois se deter, é na verdade parar ali, naquele ponto, como quando saímos de nossa casa em direção a igreja e no meio do caminho paramos em algum lugar e ficamo ali, detidos. Se quiserem ser muito felizes com Deus abandonem o caminho dos pecadores, ou seja, a prática do pecado, o viver pecando.

Se assentar na roda dos escarnecedores

Esse é perigoso! Pois os ímpios não conhecem a igreja, os pecadores fogem da igreja, mas muitas vezes os escarnecedores estão dentro da igreja, e não só sentados nos bancos, mas até mesmo cantando, pregando e assumindo posições de liderança. Quem são os escarnecedores? São aqueles que escarnecem. E escarnecer significa zombar. São aqueles que falam mal da igreja, do pastor, dos irmãos e muitas vezes achamos que o Salmista falava de pessoas de longe, mas na verdade ele falava daquelas famosas panelinhas de fofoca e escárnio que surgem muitas vezes no meio do povo de Deus. E o se assentar não é apenas sentar em uma cadeira, mas o assentar para o salmista tem o sentido de comunhão. É você não fazer parte desses bolinhos fomentados por Satanás. Isso não que dizer que ninguém tem o direito de discordar, mas se você pensa algo da igreja, do pastor ou de alguém, deve procurar a pessoa e conversar diretamente com ela. Se quiser ser muito feliz com Deus, fuja dos zombadores e caluniadores.

Conclusão:

Estando atento sempre em não dar ouvidos aqueles que não estão nem aí para Deus, em sempre procurar a Deus, mesmo que você errou, pecou, busque a Deus, busque o seu perdão e procure arrepende-se, mas não permaneça no caminho do pecado. E, por fim, não faça parte da estratégia de Satanás de atacar a igreja através da covardia da fofoca, da intriga, seja sincero, discordâncias aparecerão, mas uma boa conversa, direta e franca é sempre a melhor saída. E assim pode ter certeza de que viverá bem mais feliz.

Em breve a parte 2.

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)  

Série 7 passos para uma vida vitoriosa - Aprendendo com a tribulação! - Rm 5.1-4; 2 Co 4.16-18

______________________

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
Pelo qual também temos entrada a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
(Romanos 5.1-4)

Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;
Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.
(2 Coríntios 4.16-18)
________________________________________________________

E aqui estamos, chegamos ao 5º passo para uma vida vitoriosa. Mas sei que se eu pudesse perguntar agora quem quer ser vitorioso, todos responderiam que querem. Mas, e se a pergunta fosse ao contrário? Se eu perguntasse quantos querem lutas, tribulações, tentações? Todos querem vitória, mas nem todos querem lutar por ela. E esse raciocínio pode ser aplicado a tudo e todos no dias atuais. Pois todos querem dinheiro, mas nem todos querem trabalhar. Todos os alunos querem passar nas provas, mas nem todos querem estudar. Toda vitória, vem de uma batalha. E é isso que aprendemos nestes textos do Apóstolo Paulo.

1- Perseverança (Não desistir)

Desistir não e uma opção pra quem quer ser um vencedor. Nem sempre o triunfo vem da primeira tentativa. Você pode não passar na primeira prova, mas se desistir nunca terá outra oportunidade de vencer. O verdadeiro campeão não é aquele que nunca perde, mas aquele que não desiste até ganhar.
Tá grande a luta? Ore! Tá estreito o vale? Ore! O inimigo se levantou contra você? Ore! Em casa não tá fácil? Ore! E aí, a vitória já chegou? Ainda não? Então não pare de lutar!

2- Experiência (Maturidade)

Só quem já passou por determinada situação é que pode falar o que é passar por aquilo. Só quem já tomou choque é que sabe o quão desagradável é colocar o dedo na tomada. Só quem se queimou é que sabe o quão perigoso é o fogo. Essas tribulações machucam, mas nos ensinam a não cometermos o mesmo erro. E ainda nos dá bagagem para orientar e aconselhar outras pessoas que estão enfrentando algo que você já enfrentou. São histórias para contar do quanto nós crescemos, do que Deus nos livrou, e do quanto aprendemos. Continue na batalha, pois você um dia ajudará alguém que está passando o que você passou.

3- Esperança (Acreditar)

Aquele que entra em uma batalha e não acredita que possa vencer, já está derrotado. É necessário acreditar na vitória, por mais difíceis que sejam as circunstâncias. Portanto mude sua forma de falar, de pensar e de agir. Esse negócio de não posso, não dá, não consigo, é palavra de derrotado. Pois "tudo é possível ao que crê!" (Marcos 9.23)

Conclusão:

Paulo já calejado das tribulações nos mostra que comparadas com a Glória de Deus, elas são leves e momentâneas, ou seja passageiras. Irmãos estejais firmes em Jesus, aquele que venceu o mundo (João 16.33) e vencerás também. Lembre-se de que por maior que seja a prova, maior é o que Deus tem preparado para você!

(Pr. Julio Cezar da Silva Cindra)

Já está no blog o devocional desta semana!

  Clique aqui para ler agora!

Aprenda a interpretar a Bíblia!